A minha neta Raquel já nasceu no Século XXI, mas tudo o que está para trás, embora ela o não conheça, nunca se apagará. Os Registos Paroquiais são o nosso único suporte se quisermos descobrir algo sobre a nossa ascendência. E como só começaram a ser feitos no fim do Século XV, no caso de Macieira de Rates só em meados do seguinte, tudo o que se passou antes disso é, e ficará a ser para sempre, uma incógnita.
Na nossa segunda geração temos apenas dois ascendentes, o pai e a mãe, mas a cada uma que passa a coisa não para de aumentar. Quando decidimos mergulhar no passado e procurar os nossos ascendentes temos que escolher um dos ramos da enorme árvore genealógica em que estamos integrados. Foi assim que eu procedi, escolhi a minha mãe, como ponto de partida e fui procurara a sua mãe, avó, bisavó, etc..
Da união de Domingos Pires com Izabel Afonso nasceu João Lopes e da união de Pedro Araújo com Maria Álvares nasceu Anna de Araújo, tendo os dois rebentos casado um com o outro, em 1666.
Desse casal, entre 1666 e 1689, nasceram 9 filhos, sendo o António o terceiro, nascido em 1672, o qual foi quem deu seguimento à nossa família. Tendo casado, em 1699, com a Illena Manuel, vinda de Rates, deu vida à Rozária Francisca de Araújo, em 1715, última de 5 irmãos.
E daí em diante, a minha história familiar foi mais fácil de seguir, pois comecei a ouvir falar de nomes e famílias que me eram já conhecidas, de ouvir falar. Um episódio insólito e que tenho que aqui relatar é o caso do casamento desta Rozária com apenas 12 anos de idade. Comecei por duvidar que eu estivesse no caminho certo, em algum lugar deveria ter-me espalhado e seguido por caminho errado. Mas verifiquei, mais que uma vez, ponto por ponto todos os nomes e datas, chegando sempre à mesma conclusão, esta era a minha antepassada que casara como Manuel Ferreira, da família da Ribeira, de Gueral e de quem nascera o meu avô Jerónimo que ainda hoje anda nas bocas do povo de Macieira.
Retomando o fio à meada, da união de Manuel Ferreira e Rozária Francisca de Araújo nasceu, em 1743, o famoso Jerónimo que acabei de mencionar acima. Faltou dizer que a avó Rozária só aos 18 anos teve o seu primeiro filho, António, nascido em 1733, o que reforça a minha teoria de que, por razões que nunca viremos a saber, ela foi obrigada a casar com 12 anos, mas só por volta dos 17 ou 18 iniciou a sua actividade sexual, sendo de facto o elo da nossa família.
E da união do nosso avô Jerónimo Ferreira com Maria Álvares da Silva que ele foi descobrir em Goios, nasceu o Joze Álvares Ferreira, em 1768, primeiro filho varão, entre 7 irmãos.
Este Joze Álvares Ferreira foi a Balazar descobrir a mulher da sua vida, Hilena de Souza, que lhe deu 6 filhos, primeiro 3 raparigas e depois 3 rapazes, sendo o Joaquim, nascido em 1817, o do meio e quem deu seguimento à nossa família. Uma particularidade que não quero deixar de referir é que foi este meu antepassado que riscou o apelido Ferreira da nossa família e o substituiu pelo Souza da sua mulher.
O seu filho Joaquim, já apelidado de Álvares de Souza, escolheu noiva na nossa freguesia, a Maria Isidória, cujo único irmão deu origem à grande família dos Caetanos, de Macieira, e com ela deu ao mundo 11 filhos, entre eles a minha avó Eusébia, número 5 entre 11 irmãos.
A partir da minha bisavó Eusébia Alves de Sousa (mudou de Álvares para Alves e trocou o Z do nome Souza por uma S de Sousa) a coisa complicou-se um pouco, pois começou por não casar, mas teve um filho de pai incógnito, o qual deu origem ao ramo da família que temos na Lagoa Negra (Barqueiros), vindo mais tarde a casar-se, já com 38 anos de idade, com um velhote e viúvo, de seu nome Agostinho Dias de quem nasceu, em 1890, a nossa avozinha Maria.
Maria Alves de Sousa a quem dedico um pensamento, sempre que digo ou escrevo o seu nome, nunca casou, mas deu a vida à mãe Rita, nascida em 1916, filha de um namorado de Rio Covo, Santa Eulália, de seu nome António de Sousa que, à data trabalhava na Póvoa de Varzim e depois emigrou para França de onde nunca mais regressou.
E, nesta última etapa do meu já longo relato, a minha mãe, Rita Alves de Sousa, conheceu o seu marido, António Oliveira da Silva, ele nascido em 1912, já no tempo da República, casaram-se em Macieira e ali lhe nasceram 11 filhos, entre eles eu que fui o terceiro a vir ao mundo, em 1944, e primeiro do sexo masculino, portador do apelido Silva para o futuro. Já depois de emigrarem (todos) para Argivai, em 1960, e depois Touguinha, em 1961, viria ao mundo ainda um 12º filho, o Aires, tristemente já falecido, vítima de cancro no duodeno.
E eu, Manuel Alves da Silva, arranjei para me casar uma fangueira que morava na Póvoa de Varzim, de seu nome Maria Emília Gonçalves da Costa, nascida em 1946, de quem nasceram 2 filhos, sendo o mais novo o Marco Aurélio Gonçalves da Costa e Silva, nascido em 1972, que após casar-se com a Ana Queirós trouxe ao mundo a minha neta Raquel, em 2005.
Seguindo a lógica das coisas e sendo ela uma menina, o apelido Silva fica por aqui, tal como ficaram também pelo caminho, o Araújo, o Ferreira e o Sousa que usaram os nossos avós!
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Linha da vida - Raquel - Marco - Manuel - Rita - Maria - Eusébia - Joaquim - José - Jerónimo - Rozária - António - Anna - Pedro.
Parentesco - Filha - pai - avô - bisavó - trisavó - tetravó - pentavô - exavô - heptavô - enavó - decavô - undecavó - duodecavô Pedro de Araújo.
