2024-10-30

O Tone (Picareta) Caetano!

 

Fiz este registo para entender o nosso parentesco com o «Tone Picareta» que passava as tardes de domingo com o nosso pai, lembrando coisas antigas da nossa freguesia (e não só).

Sempre pensei que o parentesco viesse do lado do pai, mas afinal é da família da minha mãe que ele descende. Ele e todos os outros  Caetanos que eram descendentes do irmão da nossa avoenga Maria Isidória!

2024-10-26

A curva da vida!

 

Hoje, ao olhar para esta foto, lembrei-me de traçar o percurso de vida dos meus velhotes, ambos já falecidos, há alguns anos.

Em 1912, nasceu ele, na freguesia de Gueral, e em 1916, nasceu ela, na freguesia de Rio Mau. Nem ele nem ela tiveram um pai presente nas suas vidas, o dele morreu, ainda ele não tinha feito dez anos, o dela, pior ainda, era incógnito. Ambos foram acompanhados pelas suas mães até à idade adulta.

A escola primária dele só duraria um ano, em vez de passar para a 2ª Classe foi estagiar para «Moço do Gado» para a Casa do Loureiro. A dela correu melhor um pouco, saiu de Rio Mau para entrar na escola de Macieira, em 1923, e, como era próprio da época, ficou lá até ao exame da 3ª Classe. Não o posso garantir, mas apostaria que a sua professora foi a D. Clementina Ferreira que, alguns anos mais tarde, deu o mesmo curso, ou parecido, às suas 4 filhas mais velhas.

De patrão em patrão ele foi parar a Macieira, onde serviu como «Criado de Lavoura», em casa do meu padrinho, o Tio Manel do Couto, até ir para a tropa. Eu ainda não era gente, nessa altura, e não o posso garantir como certo, mas acho que foi do quintal da «Casa do Couto» que ele avistou a moçoila que elegeu para se casar. Depois foi para a tropa, na Póvoa de Varzim, e voltou depois para continuar a sua vida trabalhando para os lavradores de Macieira, Gueral e Chorente.

Ela foi crescendo, em casa da Tia Luísa, no lugar de Talho, de manhã na escola e de tarde ajudando a sua mãe nas lides da casa e no apoio à idosa que lhes dera abrigo, desde que vieram de Rio Mau para Macieira. Muito embora a minha avó tenha nascido na Lagoa Negra e a minha mãe, em Rio Mau, elas eram descendentes da grande família do Jerónimo e foi, por conseguinte, a decisão da avó Maria de regressar à terra dos seus antepassados e lá encontrar um futuro para a sua filha.

Com a morte da Tia Luisa foi preciso abandonar a Casa do Torres, onde as 3 mulheres tinham vivido, mais ou menos "de favor". Por sorte ou por habilidade da minha avó encontraram outra Luísa, também velhota e a precisar de cuidados, moradora no ponto mais alto do chamado «Tope de Travassos» - chamado assim por ser a subida mais íngreme da estrada que atravessa a nossa freguesia - que as pôs a morar numa pequena casa, pertença das «Velhas do Rio do Souto», virada para o Largo do Formigal e costas com costas com a sua casa. Sem certeza de nada, parece-me que essa idosa, de quem passaram a cuidar, era conhecida por Luísa de Quentiães. Se este escrito chegar às mãos da minha irmã mais velha, ela se encarregará de confirmar ou desmentir esta minha informação.

Nos entretantos, a mãe da minha avó que tinha ficado viúva, no início do século, ainda ela não tinha feito 50 anos, começou a "variar das ideias" (doença de Alzheimer, ainda pouco conhecida) e o seu filho Carlos, com quem vivia, recambiou-a para casa da filha que sempre seria a pessoa mais indicada para lhe dar o apoio necessário naquela situação. E assim se juntaram as 3 mulheres, mãe, filha e neta, naquela casita do Formigal que tinha em frente a oficina de carpintaria do Tio Miguel do Matos que viria a ser o padrinho de baptismo da minha irmã mais velha.

Nos segundos dez anos de vida, a minha mãe tinha aprendido a costurar e tinha já a sua freguesia que lhe dava a ganhar alguns tostões para ajudar na despesa da casa. Os anos foram passando e chegou o dia em que o namoro com o meu pai entrou na rotina das suas vidas. À moda antiga, namorava-se à porta de casa e nem outra cosa seria possível, pois a velha senhoria já tinha avisado a minha avó: - Maria, na minha casa não entram chapéus! Queria ela com isto dizer que era vedada a entrada a homens.

E os anos foram decorrendo lentamente, uma eterna pasmaceira, em que nada acontecia que alegrasse a vida de um pobre. Aí o meu velhote começou a falar de casamento e a coisa tornou-se mais séria. Mas casar e assumir a responsabilidade por 3 mulheres, uma delas idosa e doente, não seria pera doce e assim combinaram que só casariam depois de a velha Eusébia do Jerónimo ir acertar as contas com S. Pedro. Esse facto viria a acontecer, no dia 18 de Agosto do ano de 1938, como é possível confirmar pelo documento abaixo.


E assim chegamos ao ano de 1939, com a II Grande Guerra a começar em princípios de Setembro e os meus velhotes, já constituídos como casal pelo matrimónio que foi celebrado no mês de Julho, instalados na velha casa do Outeiro, pertença do Sr. José Loureiro, primeiro patrão que o meu pai conheceu na sua vida atribulada. Por notícias que chegaram ao meu conhecimento, ainda há poucos dias, até aí, essa casa tinha sido habitada pelo Sr. António Alves de Sousa, primo direito da avó Eusébia, o que me leva a crer que essa casa, antes de ser do Loureiro, pertencia à família do Jerónimo. Nessa casa nasceram, senão todos, os filhos mais velhos desse António que, em breve, emigraria para o Brasil de onde nunca mais voltou.

E chegado a este ponto da história, vou dar um salto de 50 anos e colocar-me na freguesia de Chorente, no ano de 1989, onde a foto que encima esta publicação foi tirada. A festa ali acontecida era a celebração das Bodas de Ouro dos meus pais que, entretanto já tinham criado 12 filhos e esses lhes deram um sem número de netos que tornou a nossa família uma das maiores com origem no lugar do Outeiro, da freguesia de Macieira.

Para concluir esta narrativa familiar, quero acrescentar ainda uma informação para ficar na memória dos descendentes mais novos que nunca conheceram Macieira, nem esse lugar tem para eles qualquer significado. A mãe da minha mãe (Maria) está sepultada no cemitério de Touguinha, desde 1970, e a sua avó (Eusébia), no de Macieira, desde 1938, como demonstrado acima.

2024-10-20

Parentes próximos e vizinhos!

 


O parentesco entre a minha avó Maria e a Tia Rosa sempre foi um enigma para mim. Hoje decidi tirar um tempinho para esclarecer as coisas, a contento.

A coisa começa com o José, primo da bisavó Eusébia (ela filha do Joaquim e ele filho do Manuel, ambos filhos de José Alvares Ferreira e netos do avô Jerónimo), que foi a Rio Covo, aldeia que fica em frente a Barcelos, na margem esquerda do rio Cávado, buscar noiva que veio morar para o Outeiro e teve 9 filhos, tal como se pode ver na lista ao lado.

A terceira filha deste casal, de seu nome Rosa, era, nem mais nem menos, que a Tia Rosa do Mico, figura presente em muitos capítulos das minhas memórias. Ora, a minha bisavó Eusébia, do seu casamento com Agostinho Pereira Dias, da Lagoa Negra, teve uma filha a quem deu o nome de Maria e que era, portanto, prima direita da Tia Rosa, dita a Nova para a separar da Tia Rosa, a Velha, que era a mãe daquela.

Dos 9 filhos do casal José e Rosa alguns morreram em criança. Eu, pessoalmente, só conheci a Tia Diamantina (dita de Rates), a irmã Rosa e o irmão David que moravam no lugar do Outeiro, ela solteira e ele casado e pai de muitos filhos, sendo o Manuel taxista o mais famoso de todos. Mas do que eu queria falar, hoje, é dos irmãos gémeos, António e Manuel, nascidos em 1891.


Em primeiro lugar por serem gémeos, o que é sempre um acontecimento. E depois, porque o António, pai do Armando, meu colega de juventude, emigrou para o Brasil, pouco depois de o Armando nascer e nunca mais deu sinal de vida. O outro gémeo, o Manuel, faleceu antes de fazer um ano de vida e, por conseguinte, não tem lugar nesta história. Na imagem acima, onde aparece a palavra "Obit" devia ler-se falecido em 1892.

A história continua com o António que deixou a Tia Amélia sozinha e com um rancho de filhos para criar. Ninguém sabe por onde ele andou, se morreu na viagem e o atiraram ao mar, ou se chegado lá arranjou outra mulher e com ela criou outra família. Que eu saiba, a Macieira nunca chegou qualquer notícia a seu respeito.



A certidão de óbito é necessária, em certas circunstâncias, e o Armando, já no início deste século XXI, viu-se na necessidade de recorrer ao tribunal para este decretar a morte do pai e assim encerrar um capítulo da sua vida que nem sempre foi feliz. A decisão do tribunal foi comunicada ao Registo Civil de Barcelos que fez o averbamento à margem que se pode ver na imagem acima, referente ao ano de 2006, data em que a personagem em causa já teria 115 anos.

P.S. - A minha avó Maria, a sua prima Rosa e a Tia Amélia, cunhada desta última, nasceram na última década do Século XIX, tendo as duas primeiras ficado solteiras e a última casado com a peste do António do Jerónimo, em 1919, e falecido em 1970, uns meses depois da minha avó.
Como curiosidade, devo ainda dizer que a casa onde nasci, antes de pertencer ao Sr. José Loureiro de Gueral, devia der da família do Jerónimo, talvez deste José Alves de Sousa, meu tio-bisavô, uma vez que o seu filho António ficou ali a morar, após o seu casamento, em 1919.
Foi o Frei Pedro, um dos filhos mais velhos desse casal, que o afirmou na presença da minha mãe e de quem o quis ouvir, visto ela não estar sozinha, quando isso aconteceu. Eu nasci neste casa, disse ele!

2024-10-03

Os óbitos!

 Estou a trabalhar nos óbitos de Macieira para ver se consigo estabelecer as datas de nascimento e morte de todos os meus familiares mais antigos.

Comecei pelo fim, para ter acesso aos dados mais recentes e já cheguei ao ano de 1798. Posso garantir-vos que é tão difícil como foi para os navegadores portugueses chegarem à Índia. Além da má caligrafia e pior microfilmagem dos documentos, há ainda as redações defeituosas e incompletas de muitos registos. Era o tempo da pena e do tinteiro e nem todos eram habilidosos no seu manejo. Tinta a mais, nuns casos, e a menos nos outros, tinta aguada que, agora, mal se consegue ler e muitas outras falhas que só com muita paciência e poder de análise dão hipótese de se ler o documento.

Uma das falhas mais graves que eu critico no sistema dos registos paroquiais e não registarem o movimento das pessoas que tendo nascido em Macieira emigraram, por razões diversas, indo viver em outro lado qualquer, tão próximo como Gueral ou Courel, ou tão longínquo como o Brasil, para onde foram muitos macieirensses e por lá morreram. Especialmente, nos casamentos deviam ter sido registados, mesmo quando ocorriam fora da paróquia, registando a nova morada em que ficou a viver o filho da nossa terra.

Seria tão fácil escrever: A Maria, filha deste e daquela casou em Negreiros ficando lá a viver. Passou a ter outro pároco que a seguiu pelo resto da vida e, provavelmente, acabou por registar o seu óbito, quando chegou a sua hora. Já o caso dos solteiros que mudavam de freguesia para procurar melhores condições de trabalho era um caso mais difícil de seguir. Alguns nunca mais regressaram a Macieira, por lá casaram ou morreram e não há como seguir-lhes o rasto.

O avô Jerónimo nasceu em 1743 e o assunto que mais me prende é descobrir o que aconteceu aos seus filhos, netos e bisnetos até chegar à minha avó Maria, nascida em 1890 e falecida em 1970. Logo que tenha "bisbilhotado" os registos dos óbitos até chegar à data do seu nascimento, estarei em posição de fazer uma análise capaz de me dar algumas respostas. Não todas, porque há alguns registos, totalmente, ilegíveis e quanto a isso nada poderei fazer.

A título de exemplo, podem ver acima o registo de óbito da mulher do avô Jerónimo Ferreira que faleceu no dia de S. Pedro do ano da graça de 1805. Este registo nem é dos piores para interpretar!

Ana Canana!