2024-01-25

O Geremias!

 


Foi o primeiro dos 3 irmãos Sousa que vieram para a Póvoa. Já morreu, há muitos anos, mas deixou aqui descendência. Casou aqui na Póvoa e era pai da mui conhecida parteira Alzira de seu nome que foi a parteira dos meus dois filhos.

A Alzira era mais ou menos da idade da minha mãe, o que significa que no ano de 1916, em que ela nasceu, já os dois irmãos aqui moravam, o Geremias e o António que viria a ser o meu avô materno. E o Geremias teve um filho a quem legou o seu nome de baptismo e que ainda anda por aí. Há dias, encontrei uma senhora que fazia limpezas em casa da parteira e ela contou-me algumas peripécias do "menino Geremias", era assim que o tratavam lá em casa.

Deu-me vontade de ir à procura dele, soube entretanto é médico e portanto, daqui em diante é o Sr. Dr. Geremias, nada de meninos, mas refreei os meus ânimos pois ele pode ter ideias um bocado fascistas e ia dar-me mal com isso. Penso isso por causa da imponência do jazigo que o marido da Alzira - e pai do Dr. Geremias - mandou erigir no cemitério da Póvoa. Ou ele ou talvez já os seus pais, pois aquilo parece obra antiga.

O jazigo está logo à entrada do cemitério, do lado esquerdo de quem entra pelo portão principal e lá repousam os restos mortais da Alzira, do marido, do seu pai e ainda do tio Manel Sousa que se foi juntar ali ao seu irmão Geremias. Nasceram ambos em Rio Covo, Santa Eulália, nos fins do século XIX e repousam juntos no mesmo jazigo. O lugar talvez lhe tenha sido cedido como esmola, pois nem direito teve a uma pequena placa com o seu nome e as datas de chegada e partida deste mundo.

O que me interessa do Geremias é saber se a mãe lhe deixou de herança alguma fotografias antigas em que apareça o seu tio António que morreu em França e lá deixou todos os seu pertences. Seria uma recordação do nosso avô materno que ficaria muito bem, aqui publicada. Talvez me decida a ir à procura dele, um dia destes!

2024-01-24

Maria Rosa Caravana Montes!

 

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A Maria Rosa é uma das nossas avós do Ramo Materno da família. Faltava-me encontrar o seu assento de baptismo e, hoje, reservei um tempinho para ir à procura dele. Era a mulher do nosso bisavô João José e mãe do António de Sousa que era o pai da minha mãe, Rita Alves de Sousa.

O seu primeiro filho, ainda mulher solteira, nasceu em 1889, tinha ela apenas 18 anos e era, por conseguinte, menor de idade. razão pela qual foi o nosso bisavô que se apresentou na igreja para baptisar o filho e levou um sermão do pároco da freguesia, por se apresentar ali com um filho sem ser casado. Acho que já relatei isso numa publicação anterior, portanto não tenho que acrescentar mais nada. Este registo servia-me para conhecer os nomes dos seus pais e, por conseguinte, nossos trisavós. Ele Joaquim José Montes, da freguesia de S. Bento da Várzea e ela Rosa Luiza de Souza Carabana, da Villa de Barcelos.

E assim fecho o capítulo dos nossos ancestrais de Santa Eulália, pois sendo a Rosa Luiza de Barcelos ser-me-ia muito difícil continuar as pesquisas. Nos registos paroquiais das aldeias, ainda vá que não vá, mas nas cidades a dificuldade aumenta, em função do número de habitantes.

2024-01-23

No ano de 1954!

Este ano foi marcante na história da nossa família. O patrono da família que era jornaleiro na agricultura, já tinha corrido seca e meca para arranjar um melhor emprego e melhores rendimentos para sustentar a família que não cessava de aumentar. Os últimos trabalhos na agricultura, tanto quanto me consigo lembrar, foram para a Quinta do Mendes ou a Casa do Júlio, de Gueral. Depois disso, conseguiu encontrar o padrinho certo para o recomendar ao patrão da Chenop - mais tarde EDP - e disse adeus à agricultura.

Bem, adeus não disse, pois foi para a Chenop tratar das terras e jardins do Sr. Paiva, o grande chefe das electricidades, nesse tempo. Mas não tinha que andar sempre de chapéu na mão - embora ele fosse bom nisso - a pedir trabalho aos lavradores de Macieira, Gueral, Chorente e Courel e aceitar os trabalhos mais duros, como podar ou sulfatar videiras. No Outono de 1954, rumou a Vila do Conde e por lá ficou até ao dia da reforma.

De Gueral era o seu pai e a sua mãe e foi nessa freguesia que passou os primeiros anos da sua vida. Frequentou a Escola Primária dos 7 aos 8 anos e depois foi "vendido" como escravo para a Casa do Loureiro para desempenhar as funções de «rapaz do gado». Era um tempo em que não havia ainda alfaias agrícolas motorizadas e a força dos animais era tudo o que havia à disposição. Se era preciso um carro para ir ao campo levar ou buscar qualquer coisa, atrelava-se uma junta de vacas, ou de bois, conforme a força de que se precisava e o resto dos animais era levado para o pasto. Era esse o trabalho do meu progenitor, tomar conta do gado para que se mantivesse no lugar escolhido e não invadissem as hortas ou estragassem sementeiras. Ás vezes era preciso correr atrás de uma toura mais atrevida e assentar-lhe umas pauladas nos quartos-traseiros ara a meter na ordem.

Comecei esta publicação com estes pormenores para falar de um acontecimento triste de que eu tomei conhecimento, ha alguns dias, a morte do Arnaldo do Júlio que era companheiro de trabalhos do meu pai, quando era na Casa do Júlio que arranjava trabalho. Penso que era o mais velho, senão o único, filho daquela família. O "Naurdo" (assim se pronunciava o seu nome, nasceu em 1932, fez 20 anos quando eu tinha 8. E veio a falecer em casa da sua filha Cândida, em Julho de 2022, na freguesia de Minhotães.

Quis o destino que o Naurdo se viesse a casar com a Rosa do Capela, sobrinha do meu pai que morava na casa em frente, do outro lado da estrada. Foi um namoro entre vizinhos, coisa nada fora do vulgar. A Rosa era neta do meu avô Joaquim (que não consta dos livros, mas nós sabemos ser assim, o tal que tinha uma ferramenta que nunca precisava de ir ao ferreiro para aguçar.

A Rosa teve dois filhos, um rapaz e uma rapariga. Ele mora na casa dos seus avós e ela casou em Minhotães e para lá foi viver. A Rosa acabou por seguir a filha, pois se sentia mal tratada pelo filho e pela nora que ficaram a ocupar a casa dos seus antepassados, Já os pais do avô Joaquim ali moravam nos idos do Século XIX. Foi lá que fui encontrá-la, há já alguns anos, quando decidi procurá-la e dar-me a conhecer como seu primos direito.

Há cerca de 30 anos, a Rosa comprou o talhão do cemitério, onde fora sepultado o seu pai e meu tio, António. No ano passado teve que lá ir sepultar o Arnaldo, seu marido, que sofria, há alguns anos de surdez, agravada por um certo grau de Alzheimer, que lhe tornou difíceis os últimos anos. Agora, descansa em paz e não dá trabalho a ninguém.

Passei por Gueral e lá fui espreitar o sepulcro, onde puseram uma placa com os seus dados biométricos. Nascido em 1932, falecido em 2022, com 90 anos certinhos. Paz à sua alma !!!

2024-01-22

Vou rezar à minha avózinha!

Se ela soubesse as saudades que tenho dela e da minha meninice, quando ela se levantava de noite para pôr um paninho quente debaixo do cu, ou dar um bocado de broa para calar o estômago que roncava com fome, acredito que metia uma cunha ao Criador para eu me encontrar com ela, quando chegar a minha vez de emigrar lá para cima.

É estranho eu lembrar-me sempre dela e não da minha mãe que pelas mais válidas razões tinha que me pôr de lado para atender os meus irmãos mais pequenos e mais necessitados dos seus cuidados. Mas as coisas são assim mesmo, não me lembro de receber um beijo da minha mãe, só as chineladas que ela distribuia com frequência para acalmar os meus ímpetos de criança que ainda só pensava em brincar.

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Rissos e Cananos, a explicação!

Não é a primeira vez que abordo este assunto, mas será a última, pois depois disto nada mais sei o que possa acrescentar. No lugar do Outeirinho, da freguesia de Gueral morava um dos meus antepassados que dava pelo nome de Agostinho José da Silva e tinha um filho chamado António cujo apelido era igualmente José da Silva. Esse era o meu bisavô paterno.

De Santa Maria de Goios veio para Gueral uma moça que caiu no goto do meu bisavô e começaram a namorar. Em menos tempo do que me demora a contá-lo estava a moça grávida e passaram-se os nove meses seguintes sem se falar em casamento, pelo que a criança foi registada como filho natural da Maria das Dores. E foi chamado de Francisco com os mesmos apelidos do pai e avô, José da Silva. Esse era o meu avô Francisco.

E o namoro continuou, pouco mais de três anos depois, apareceu uma nova gravidez e o carpinteiro do Outeirinho (pois era carpinteiro o meu bisavô) decidiu dar o nó para evitar que a moça tivesse que registar outro filho natural. Foi o casamento em Junho e nasceu o bebé em Agosto. Imagino que o abade de Gueral deve ter feito um sermão e peras à noiva que já era mãe solteira e lhe aparece no altar grávida de sete meses. E a criança que nasceu, já registada como filha legítima, era uma menina e recebeu o nome de Rita. Anos mais tarde haveria de nascer ainda outra menina, a quem foi dado o nome de Maria, mas que não vem ao caso para a história que vos estou a contar.


Como curiosidade, notem que as duas testemunhas do casamento, assim como o pároco que o realizou, tinham o mesmo apelido, talvez fossem todos irmãos!

Estes dois irmãos, Francisco e Rita, casaram em Gueral, ele com a minha avô Ana Maria e ela com um senhor chamado Carlos Rodrigues que da freguesia de Fragoso tinha vindo para Gueral trabalhar como jornaleiro. Cada um deles formou uma família, ele a dos Cananos, ela a dos Rissos que toda a gente ficou a conhecer, nem sempre pelas melhores razões, na freguesia de Gueral. Rissos e Cananos são duas alcunhas que não sei o que significam nem de onde vieram. Toda a gente a quem perguntei encolheu os ombros e disse nunca ter questionado isso, eram assim tratados por toda a gente e para gente simples que nunca se preocupava em conhecer a razão das coisas, isso era suficiente. Eu sou muito diferente, vou até ao fim do mundo para descobrir a origem das coisas.

Eu, como neto do avô Francisco pertenço ao grupo dos Cananos e tanto quanto sei, só há Cananos a morar em Silveiros e Remelhe, descendentes dos meus primos Manuel e José, que todos os outros ganharam alcunhas diferentes. O avô Francisco era estéril, mas registou em seu nome, na Conservatória do Registo Civil de Barcelos, três filhos, a Glória, o António e a Ana. Foi a Glória e os seu muitos descendentes que herdaram e espalharam pelo mundo os Cananos.

Os filhos da Rita, Armindo nascido em 1877, José nascido em 1899, Maria nascida em 1902, Ana nascida em 1905 e António nascido em 1908, formaram a família dos Rissos que se espalhou por Gueral, Macieira e Rates (tanto quanto me foi dado descobrir). O Armindo que conheci e faleceu, há meia dúzia de anos, em Gueral, seria sobrinho e afilhado deste Armindo, filho mais velho da Rita, a minha tia-avó.

O filho mais novo, o António casou e veio morar para Macieira, tal e qual como o meu pai que tendo nascido em Gueral, também veio casar a Macieira e ali ficou a morar, durante 21 anos, até 1960, ano em que rumou ao sul e, depois de alguns meses a morar em Argivai, se fixou em Touguinha, freguesia do concelho de Vila do Conde, até ao dia da sua morte, em 2002.

Ambos os Antónios, o Risso e o Canano, formaram grandes famílias que se espalharam pelo mundo. Em Macieira resta um filho do Risso e nenhum Canano. Será preciso percorrer alguns concelhos, de distritos diferentes e até a emigração para os localizar a todos. Como curiosidade, refiro ainda que ambos os Antónios tiveram uma filha a quem deram o nome de Prazeres e que são, hoje, amigas no Facebook!

E mais não digo, pois há sempre alguma coisa que devemos guradar para nós próprios!

José na base do nome!

Dediquei mais algumas horas a pesquisar, melhor dito, tentar decifrar os livros dos assentos de baptismo e casamento da freguesia de Gueral, de onde vêm os meus avôs paternos. Tomando por base o nascimento da Rita da Silva, avó dos Rissos de Gueral, fui à procura do seu registo de baptismo que não conhecia ainda. Deu-me algum trabalho, pois não sabia a data e os livros estão em muito mau estado de conservação.


Eu já sabia que o meu avô Francisco era mais velho que ela. Tal como já expliquei em escritos anteriores, o namoro entre a Maria das Dores e o carpinteiro do Outeirinho culminou com o nascimento do avô Francisco, no ano de 1863. Quatro anos depois, em 1867, o namoro continuava e a Maria das Dores ficou, outra vez, grávida. Aaquilo já começava a ser demais e para não dar azo a mais falatório da vizinhança, eles decidiram casar. Mas não foi decisão fácil e levou o seu tempo a concretizar-se. Já entrara o mês de Junho e a barriga da noiva não parava de crescer, daí falaram com o padre e aceleraram os procedimentos. No Outubro desse mesmo ano, 1867, nascia a Rita que foi a alegria da casa. O seu irmão Francisco ficou lá para trás, esquecido e registado como filho natural.

No entanto, como vim a verificar nos documentos que consegui encontrar, o rasto do carpinteiro era bem visível, ele chamava-se António José Silva e registou o filho, ele ou alguém por ordem sua, com o nome de Francisco José da Silva. E como pude verificar no registo do seu casamento, o seu pai chamava-se Agostinho José da Silva, uma sequência de 3 gerações de Josés da Silva que só foi interrompida pelo nascimento do meu pai que se chamou António. Se o meu avô tem insistido em manter o nome de José, como segundo nome, o meu pai seria António José da Silva, como o seu avô. Mas aí deve ter havivo mão da minha avó Ana Maria que bem sabia como as coisas se haviam passado, o marido passava mais cartão aos copos de tinto do que à família e ela, a partir daí assumiu a liderança da família.

Se bem tomei nota do que o meu pai me foi contando, o avô não durou muito e foi parar ao cemitério antes de ele completar 10 anos de idade, nos princípios da década de vinte do século passado. Dos 3 filhos registados em seu nome, nenhum tinha ainda atingido a maioridade.

E para terminar, volto à geração anterior para dizer que a Rita ainda teve, pelo menos, duas irmãs, uma em 1870 e outra em 1905, o que pelo lapso de tempo decorrido me leva a desconfiar que pode haver outros registos, entre essas datas, que eu não consegui localizar.

A descendência da Lagoa Negra terminou!

Só, há poucos dias, tomei conhecimento da morte do «Tone da Lagoa Negra»! E lá fui de romaria até ao cemitério de Barqueiros visitar a sua campa e dedicar-lhe um último pensamento. Há anos em tratamento a um cancro do cólon este desfecho era de esperar, mesmo assim esperaria que alguém da família me dessse um lamiré, antes do desfechjo fatal. A desculpa (que sou obrigado a aceitar) é que foi durante operíodo de maiores restrições, no início do ano passado, por causa do surto de Covid 19.

Ele faria 77 anos a 6 de Fevereiro, mas não conseguiu lá chegar, faleceu no dia 1 desse mês. Tinha sido operado cinco anos antes, por alturas do Natal, e desde então foi sobrevivendo à custa de quimioterapia. Segundo o relato da viúva, os últimos dois meses foram de muito sofrimento e perda da esperança e vontade de viver. É assim a nossa vida, quando não há um mínimo de qualidade mais vale partir e aliviar o sofrimento de todos, de quem vai e de quem fica.

Ele deixou 2 filhas e alguns netos - suponho que são 3 - o que quer dizer que os genes da minha bisavó Eusébia continuam vivos por aquelas paragens, embora o parentesco cada vez mais distante tenha um interesse relativo para os mais jovens que nem sequer convivem uns com os outros.

Na Lago Negra existe também outra família descendente dos Alves de Sousa de Macieira de Rates, a da Fátima Meana que é neta de um irmão da Nossa bisavó Eusébia, o famoso tio Luís. Os 4 filhos do tio Lúís eram primos direitos da minha avó Maria e todos deviam ser ainda vivos, quando eu visitei, pela primeira vez, a Lagoa Negra, na década de 50 do século passado. Nas minhas pesquisas descobri que dois deles nunca tiveram filhos, a Fátima, hoje com mais de 90 anos, deve ser filha de um dos outros dois, mas não sei qual. Talvez um dia consiga entrar em contacto com um dos filhos dela que me possa esclarecer, pois parece que ela própria já não está muito boa do juízo.

O Tone da Lagoa Negra e eu somos da mesma geração, nascidos em 1944 com um mês de diferença. Ele já partiu e eu não devo ter muitos anos pela frente para andar neste mundo, depois disso mais ninguém se lembrará do nosso vínculo a este lugar da freguesia de S. João de Barqueiros, do concelho de Barcelos.

Para terminar, quero referir ainda que um dos netos da bisavó Eusébia emigrou para o Brasil e tem lá família viva. Sei que em tempos um membro desta família andou por Barqueiros à procura dos seus parentes, mas (vá lá saber-se porquê) o meu primo Tone recusou dar-se a conhecer. Se o primo do Brasil voltar à carga, já o não encontrará vivo!

P.S. - Esqueci-me de tirar uma foto da placa que está na sua campa e assim não tenho como ilustrar esta notícia.

A Lagoa Negra!


A Lagoa Negra, na freguesia de Barqueiros do concelho de Barcelos, é uma antiga mina romana que ficou inundada depois de abandonada. Há quem diga que foram os romanos que ali iniciaram a exploração de ouro, mas faltam as provas para sustentar essa teoria. Na primeira passagem pela Península Ibérica, Século II B.C. até Século III A.C., cerca de 500 anos, andaram mais pelo centro e sul do actual território português e é, por conseguinte, pouco provável que essas minas tenham existido nessa época. Depois do Século V da nossa Era será o mais provável, foram 5 séculos em que os romanos arrastaram tudo da Península Ibérica para Roma. Desde o vinho, o azeite e o peixe salgado até aos vários minérios, começando pelo ouro e prata que eram os mais valiosos.

Não vale a pela cansarmos a nossa beleza à procura de outra explicação, entre o Século V e a fundação de Portugal, para mim, serve-me perfeitamente e assunto arrumado. Os romanos não trabalhavam nas minas, mas faziam os indígenas trabalhar, por isso toda aquela gentinha que se juntou naquele lugar foi recolhida nos povoados vizinhos, talvez Apúlia, Estela e Terroso, e transformados em mineiros ao serviço de César.

Em todas as minas os túneis nascem e vão crescendo ao som das picaretas e de acordo com a vontade de quem manda. Esses tuneis parecem ter sido construidos no sentido sul/norte, vá lá saber-se porquê, e o normal é que depois disso se siga a orientação do filão. Nesse sentido as minas foram avançando em direcção ao rio Cávado que passa ali a uns poucos quilómetros mais a norte. Há quem alvitre a hipótese de terem atingido a margem esquerda do rio, com a água a invadir a mina e matar, por afogamento, todos os mineiros que lá trabalhavam.


Um belo dia, as mulheres dos mineiros foram levar-lhes o almoço, como era costume todos os dias, e encontraram a mina inundada e as roupas dos mineiros cá fora, penduradas nos arbustos, como era hábito fazerem. As vozes mais tementes a Deus, também diziam que foi castigo divino pela ganância que os fez "ir longe demais".


Também houve quem preferisse a teoria de que foi o mar a invadir a mina, mas é menos provável, pois de Barqueiros até ao mar é uma contínua planície arenosa, terreno em tempos coberto pelo mar e pouco propenso à existência de metais preciosos. Fiquemo-nos, portanto, pela teoria do rio Cávado e passemos esta informação aos vindouros para que se não cansem a procurar outra explicação para a Lagoa,

P.S. - Nos últimos anos do Século XIX, a minha bisavó Eusébia casou com um residente da Lagoa Negra e lá viria a nascer a minha avó Maria. Daí a minha ligação a esta terra terra que visito, de vez em quando!

Os Dias da Lagoa Negra!

No ano de 1890, ano em que casou a nossa avó Eusébia (vou usar a forma genérica de avó, seja ela bi, tri, ou tetra) e nasceu a avó Maria, o Tio Luís tinha apenas 28 anos e já era casado, há 6 anos, com uma mulher mais velha que ele uns bons 7 anos. Ela, de seu nome Maria, era filha de Francisco José Dias e bem gostaria de saber qual era o vínculo, se é que havia algum, com o Agostinho Dias que casou com a avó Eusébia e veio a ser pai da minha avó Maria.

Parece uma grande confusão, mas é a coisa mais simples deste mundo. Na Lagoa Negra, lugar mais importante e mais famoso da freguesia de Barqueiros, existia uma antiga família com o apelido Dias. Com apenas 22 anos de idade o nosso tio Luís foi lá desenncantar uma noiva dessa família. E 6 anos mais tarde, foi lá parar a nossa avó Eusébia, já com 38 anos de idade e um filho crescidinho, arranjar também um noivo - já velhote e viúvo - da mesma (?) família Dias.

O desaparecimento dos Livros Paroquiais que cobrem os registos de cerca de 70 anos, entre 1720 e 1790 (mais coisa menos coisa), não me dá hipótese de descobrir a filiação dessas personagens e portanto nunca saberei se a Maria, nascida por volta de 1865, era ou não familiar do Agostinho, nascido por volta do ano de 1826/1827 Poderia ser irmão do Francisco José, pai da Maria que com o «Tio Luís» iniciou o ramo da família «Alves de Sousa», na Lagoa Negra.

Uma coisa eu sei, os irmãos macieirenses Eusébia e Luís, foram herdeiros dos bens da família Dias, ou parte deles, o que haveria de criar um imbróglio, entre os seus descendentes, que dura até hoje. A minha avó Maria que teria direito a uma fatia de leão acabou sem nada e morreu a viver da esmola de sua filha e genro, ajudando a criar uma dúzia de filhos, entre os quais me incluo.

O «Tone da Lagoa Negra» único descendente vivo da nossa avó Eusébia - neto do seu filho Carlos - é hoje o dono da casa da família Alves de Sousa e nota-se que fica, "ligeiramente", incomodado quando se aborda o tema dos Dias e do Tio Luís que, segundo rezam as crónicas continua por ali assombrando a casa e as consciências de quem lá mora. Por mim, o Tio Luís pode ter o seu descanso eterno, se me deve alguma coisa, eu perdoo-lhe essa dívida.

A Ritinha e a Tia Rita da Eusébia!


A Ritinha era uma miúda de génio, não era fácil de assoar!

A Sr.ª Sofia, em casa de quem a Ritinha morava com a sua mãe, era tratada apenas por Sofia e quando lhe chamavam a atenção para o respeito que era devido aos mais velhos, ela respondia que a velhota também lhe chamava Rita e mais nada e, portanto, não merecia um tratamento diferente daquele que lhe era dispensado. Respeite para ser respeitado, deveria ser o que lhe passava pela jovem cabecinha de uma criança com a idade de +/- 4 anos.

Filha de mãe solteira, nasceu na freguesia de S. Cristóvão de Rio Mau, concelho de Vila do Conde, onde a sua mãe trabalhava como criada de servir, desde os 20 anos, depois de um primeiro trabalho do mesmo género na freguesia de Paradela que foi o primeiro após abandonar a casa dos seus pais, na freguesia de Barqueiros do concelho de Barcelos, por volta dos 16 anos.

O pai da Ritinha era um de três irmãos, filhos de João José de Sousa, que da freguesia de Rio Covo, Santa Eulália, que vieram para a Póvoa em busca de melhor vida. António, Manuel e Geremias eram os seus nomes, os dois primeiros trabalharam sempre ligados á agricultura, enquanto que o Geremias optou pela vida de marçano, passando a vida a entregar mercearia pelas ruas da Póvoa. António, o mais velho dos três, viria a conhecer a mãe da Ritinha nas suas andanças por casa dos lavradores em busca de trabalho.

Corria o mês de Junho do ano da graça de mil novecentos e dezasseis e, tanto quanto me é dado saber, ela nasceu e lá morou, nos primeiros quatro anos da sua vida, na última casa de Rio Mau, à margem da EN 206, do lado esquerdo para quem vai a caminho de Rates e Balazar. Razões de ordem familiar fizeram com que a sua mãe, a minha saudosa avó Maria, fosse viver para Macieira. Segundo rezam as crónicas que chegaram aos meus ouvidos, a Ritinha foi levada dentro de uma giga (grande cesto de verga que servia para transportar erva) que a mãe levava à cabeça, pois não tinha ainda pernas para uma tal caminhada.

Para ter onde morar, a avó Maria aceitou cuidar de uma velhota que se chamava Maria Luísa e morava no lugar de Talho, mais precisamente numa pequena dependência da Casa do Torres, uma espécie de anexo, em termos modernos. Encostada à Casa do Torres, havia uma outra de maiores proporções e melhor qualidade, a casa dos Ferreiras, professores de profissão e com oficiais do Exército na família. Do contacto com esta gente a Ritinha aprendeu muito nos 12 anos que ali passou.

Por volta dos seus onze anos, o seu pai, António de Sousa, mostrou interesse em conhecê-la e alguém se encarregou de a trazer até à Póvoa para os apresentar. Ouvi contar algumas histórias sobre a família que não estaria de acordo com o seu relacionamento, mas sabendo qual o seu percurso de vida, a trabalhar como criado de lavoura, e com a família a morar em Rio Covo, perto de Barcelos, isso é muito pouco provável. Outras razões haveria com certeza, mas isso nunca viremos a saber, uma vez que os interessados já entregaram as suas almas ao Criador.

Com a morte da Srª Maria Luísa foi necessário arranjar outro poiso, onde morar, e surgiu a possibilidade de cuidar de outra velhota, a Srª Rosa de Cumiães, que morava na última casa, do lado esquerdo, da subida de Travassos que, salvo erro, já pertence ao lugar do Formigal. Na parte norte dessa casa, havia uma pequena casinha, pertença da Srª Rosa, mesmo em frente da casa do Tio Miguel do Matos que poucos anos depois viria a ser o padrinho de baptismo da minha irmã mais velha.

Foi nessa pequena casinha que ficaram a morar a Rita e a sua mãe, a quem se veio juntar a avó Eusébia que morava, de favor, em casa de familiares, no lugar do Outeiro, desde que enviuvara. Estávamos no ano da graça de 1932 e a avó Eusébia, já com 80 anos de idade, sofria da doença de Alzheimer numa fase relativamente avançada. A Rita tinha feito a Escola Primária com a ajuda dos professores da Casa Ferreira, andava a aprender costura e ajudava a mãe nas lides da casa e a tratar da avó, enquanto a sua mãe se dedicava a tratar da Srª Rosa.

Os 7 anos seguintes, até 1939, data em que a avó faleceu e a Ritinha se transformou numa mulher casada, a vida decorreu sem grandes sobressaltos. Quando por ali apareceu o pretendente que a haveria de levar ao altar, a Srª Rosa avisou logo – “nesta casa não entram chapéus”, uma maneira engraçada de se referir ao sexo masculino – e assim o namoro teve que fazer-se fora de portas, no Largo do Formigal. A morte da senhora viria precipitar a mudança de vida que aconteceu na vida da Rita, a partir desse dia. Agendou.se o casamento, à pressa, e o noivo foi à procura de uma casa, onde pudesse abrigar as três mulheres que passaram a ser a sua família, daí em diante, levou três pelo preço de uma! No mesmo ano de 1939, faleceu também a avó Eusébia, não sei se antes ou depois da Srª Rosa, nem isso tem qualquer interesse para a presente história.

Tendo sido criado em casa do Loureiro de Gueral e sabendo que este lavrador tinha uma velha casa desabitada, no lugar do Outeiro, foi ao encontro do filho do seu antigo patrão que agora governava a grande casa de lavoura para lhe pedir que lha alugasse. Foi-lhe dito que a casa estava em muito más condições, com parte do telhado caído, mas ele não desanimou e respondeu que se encarregaria de fazer os arranjos necessários.

E assim aconteceu, casamento resolvido lá foram morar para a casa que me viu nascer, a mim e mais dez irmãos que foram nascendo, um após o outro, entre 1940 e 1960. A Rita, agora uma senhora casada, vivia dos trabalhos de costura, enquanto o marido saltitava de lavrador em lavrador aceitando todos os trabalhos que apareciam. E os anos sucediam-se, enquanto a família ia crescendo, com a Rita na costura e a sua mãe nas lides da casa.

Com a necessidade de aumentar os rendimentos veio a oportunidade de abrir um atelier de costura, onde não faltavam as aprendizes, e começar a fazer as feiras de Barcelos para vender os produtos que costurava, além de trapos e farrapos, assim como variados artigos de retrosaria. Tempos difíceis em que não havia qualquer transporte para a sede do concelho e era preciso carregar as mercadorias, em grandes trouxas, à cabeça.

No já longínquo ano de 1960, ela e a sua família abandonaram Macieira e rumaram a Argivai, freguesia do concelho da Póvoa, onde morou durante alguns meses apenas e, em Maio do ano seguinte, mudar-se-ia para Touguinha, onde morou até morrer e lá foi enterrada. No ano de 1962 aí lhe nasceria ainda mais um filho para completar a dúzia, filho esse que partiu deste mundo ainda antes dela. Quem a quiser visitar, ou rezar-lhe pela alma, pode encontra-la, juntamente com a sua mãe Maria, logo à entrada do cemitério, do lado direito.

A esta distância no tempo, tudo isso parece um romance mal contado, mas foi a vida real da Rita da Eusébia que assim ficou conhecida, em Macieira, por ser neta da Eusébia Alves de Sousa, da casa do Jerónimo, do lugar do Outeiro, enquanto que a sua mãe, Maria, não nascera na freguesia e, por conseguinte, não contava para a História.

N.B. - Esta publicação foi feita em 22-04-2022 no antigo blog do Sapo e nesta nova versão aproveito para corrigir o nome de Zacarias para Geremias que era o nome correcto do meu tio-avô.

Os Alvares!

«Origem do apelido Alvares (depois Alves) na minha família»

Maria Alvares da Silva, nasceu em Goios, no dia 23 de Agosto de 1744. Era filha de Joze da Fonseca, de Goios, e de Maria Alvares, de Pedra Furada. Era neta paterna de João da Fonseca e Maria Domingues. E materna de Bento Alvares e Izabel Antónia. Faleceu em 9 de Junho de 1805, em Macieira.

Jerónimo Ferreira, nasceu em Macieira, no dia 16 de Maio de 1743. Era filho de Manoel Ferreira, de Gueral, e de Rosália Francisca, de Macieira. Era neto paterno de Miguel Alvares, de Negreiros, e de Maria Gonçalves, de Gueral. E materno de António de Araújo, de Macieira, e de Illena Manoel, de Rates. Faleceu em 12 de Janeiro de 1814, em Macieira.

No dia 22 de Junho de 1764, realizou-se o casamento destas duas personagens que ficaram a morar no lugar do Outeiro, da freguesia de Macieira. Do seu casamento nasceram 7 filhos, Maria, Joze, Manoel, Helena, Costodia, Antonia e Luiz, sendo do Joze, de apelido Alvares Ferreira, que descende a minha família.

O Luiz morreu ainda criança, em 9 de Abril de 1786. O Manoel foi declarado morto, em 23 de Novembro de 1825, por não haver notícias dele, há muito tempo. Das 4 irmãs nada encontrei que pudesse ser relevante para a minha história familiar.

«Indo ainda mais para trás no tempo»

Bento Alvares casou-se, em Pedra Furada, em Agosto de 1703. O registo é, praticamente, ilegível, de modo que só indo a Braga poderei esclarecer as minhas dúvidas, em especial, no que se refere à sua paternidade, mas parece-me que tanto o pai como a mãe eram de Pedra Furada.

Miguel Alvares Ferreira casou-se, em Gueral, em 1701, com a Maria da Ribeira, cujas descendentes vieram a ser clientes da minha mãe (costureira), na segunda metade do Século XX. O seu filho Manoel não levou, mas poderia ter levado para Macieira o apelido de Alvares que o seu neto Jerónimo acabaria por ir buscar a Goios e introduzi-lo na nossa família.

Esse apelido que à terceira geração mudou para Alves, veio através dos séculos até mim e, segundo as normas actuais (muito pouco respeitadas) só poderá passar para a próxima geração através das minhas irmãs, pois os irmãos só poderão transmitir o apelido Silva que, por azar, nem é nosso de verdade.

A vergonha de ser mãe solteira!

Na actualidade, em que o casamento está fora de moda, as mulheres engravidam por encomenda e cada vez nascem menos filhos, ser filho de pai incógnito não é problema que tire o sono a qualquer uma. Pois, não era assim nos tempos da minha bisavó Eusébia, único dos meus antepassados mais recentes que nasceu, viveu durante grande parte da sua vida e ficou enterrada no «Cemitério da Agra», quando a sua família abandonou a freguesia, à procura de uma vida melhor.

A minha mãe que era neta da Eusébia nasceu em Rio Mau, foi viver para Macieira, quando entrou para a Escola Primária e abandonou a freguesia, indo morrer a Touguinha, concelho de Vila do Conde, para seguir o marido que no propósito de abandonar a agricultura arranjou emprego na Chenop, empresa de electricidade que electrificou Macieira, no ano em que eu fiz a 4ª Classe. O meu pai que para pedinchar não era peco, aproveitou a passagem dessa empresa pelas freguesias de Macieira e Gueral, recorreu à ajuda das pessoas mais influentes que conhecia e lá conseguiu convencer o "patrão da electricidade" a levá-lo com ele.

Isso fez com que a minha mãe e avó materna fossem morrer e ser sepultadas em Touguinha, deixando para trás os restos mortais da sua antepassada que faleceu, em 1939, na freguesia de Macieira, onde também tinha nascido, 87 anos antes. Como o nosso Presidente da Junta costuma ler estas palavras que vou publicando, deixo-lhe aqui uma pergunta. Seria possível identificar a sepultura onde os ossos da minha bisavó Eusébia ficaram a dormir o sono eterno? Cada vez que passo ao cemitério apetece-me ir fazer uma visita, mas mete-me impressão não saber, exactamente, o sítio onde ela ficou.

E voltando à sua história, pois é disso que trata esta publicação, ela foi mãe duas vezes. A primeira, como mãe solteira, de um rapaz chamado Carlos que nasceu, viveu e morreu no lugar de Lagoa Negra, da freguesia de Barqueiros, concelho de Barcelos e a segunda, já casada, de uma menina a quem puseram o nome de Maria (Maria da Eusébia) que viria a ser a minha avó

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Da minha mãe (Rita da Eusébia) muitos macieirenses, nossos contemporâneos, conhecem a sua história. Da minha avó Maria nem tanto, pois não nasceu na freguesia e, embora tenha lá vivido a maior parte dos seus 80 anos, levava uma vida escondida por trás da sua única filha, do seu genro e dos muitos netos que ajudou a criar. Da minha bisavó Eusébia duvido que algum macieirense se lembre, pois já morreram todos que com ela conviveram.

A imagem do assento de baptismo que vêem acima é do meu tio-avô que nasceu em Pedra Furada, em 1880, e foi viver para a Lagoa Negra com 10 anos de idade, quando a sua mãe se casou com um viúvo lá residente. Ele que tinha ficado viúvo sem filhos e ela com um filho sem pai, encontraram no casamento a solução para ambas as situações que não eram muito agradáveis para nenhum deles. O Carlos passou a ter um pai adoptivo, herdou os poucos haveres de um pequeno lavrador, ali casou e criou 4 filhos, um dos quais emigrou para o Brasil e tem lá descendência, tendo os outros 3 morrido solteiros. mesmo assim, para preservar a (má) tradição da família, uma das suas filhas foi também mãe solteira de um rapaz que ainda vive na casa que foi da sua bisavó Eusébia, casado e com duas filhas para continuar a história da família.

Como curiosidade saliento o nome do padrinho de baptismo que era irmão da Eusébia, também casou na Lagoa Negra (na minha opinião foi ele que "arranjou" o casamento da irmã) e a particularidade de ele já saber assinar o seu nome, coisa pouco comum, no ano de 1880, em que reinava D. Luis I, em Portugal. Outro dado curioso é o nome do pároco, António Alvares da Silva, nascido e sepultado em Pedra Furada, mas que quase de certeza era oriundo de uma família de Goios, da qual veio para Macieira uma Maria Alvares da Silva que casou no Outeiro e foi antepassada da minha bisavó Eusébia. Aliás, ninguém me disse, mas eu estou convencido que foi esse facto que fez a mãe solteira fugir de Macieira para Pedra Furada, quando se viu grávida, ou seja, acolher-se à protecção do pároco da freguesia que ainda era seu parente.

A família Capela!

Cananos e Capelas eram apelidos usados em Gueral, freguesia do concelho de Barcelos. Ao longo das minhas investigações fui descobrindo coisas que não esperava. Por exemplo, o meu pai gostava que lhe chamassem Sr. Oliveira e não Sr. Silva. Agora percebo porquê, Oliveira era o apelido da sua mãe, herança de sangue, enquanto que Silva era o marido da mãe, mas não seu pai. Parece que também não gostava muito que lhe chamassem Canano, pois era a alcunha do marido da sua mãe, mas nada que tivesse a ver consigo. Ouvi contar histórias sobre o nome de Capela que lhe chamavam por pirraça, sabendo-o filho de quem era. Nada mais errado, pois o apelido Capela, vindo de Chavão, pertencia à linha feminina e entrou em Gueral com o casamento do meu avô Joaquim com a Ana da Costa Capela que herdou esse apelido do seu avô materno. Joze da Costa Capella.

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Na primeira imagem pode ler-se o nome dos avós da mulher do meu avô (que não era minha avó) e na segunda a data de nascimento e o nome dos pais. Não quis trazer a imagem completa, pois é difícil de ler e faria desistie os menos persistentes.

Para finalizar, o meu nome na Cédula de Nascimento, segundo as regras actuais, seria Manuel Alves de Oliveira. E mais nada !!!

Portanto, nem Silva, nem Canano, nem Capela, mas simplesmente Oliveira.

O casamento do avô Joaquim!

 


Vida de estudante!

Hoje, esbarrei-me com esta foto nos meus arquivos documentais (Anuário do CAIC do ano lectivo 1957/1958) e pareceu-me ajustado trazê-la para aqui. Se houver alguém capaz de me identificar no meio dessa rapaziada toda engravatada, eu dou-lhe um doce. Até eu me vi grego para me descobrir a mim próprio!



Ela é que tinha razão!

A mulher do meu avô paterno sabia o que dizia. Quando as suas amigas (?) lhe vinham dizer que o marido andava envolvido em negócios de saias, ela respondia:

- Isso não me dá dor de cabeça, a ferramenta dele é a única que não precisa de ir ao ferreiro!

A Tia Ana Capela era originária da freguesia de Chavão. Foi o meu avô Joaquim lá conquistá-la, casou com ela e trouxe-a para Gueral, onde viveu o resto dos seus dias como Deus manda. Criou os filhos que Deus houve por bem dar-lhe, aturou o marido o melhor que pôde e deve estar, lá em cima, sentada à direita de Deus Pai, pois tinha mais virtudes que pecados.

A minha (meia) prima Rosa!

A actual dona da Casa do Capela, de Gueral, é a minha prima Rosa. Os nossos pais eram irmãos e tinham o mesmo nome de baptismo, António. Há muito tempo que queria chegar à fala com ela para desenvencilhar algumas dúvidas que tinha sobre a minha ascendência paterna. Aconteceu ontem, primeiro dia do novo ano de 2020. Achei que para começar o ano da melhor maneira, nada melhor do que ir lá perguntar-lhe o nome completo do nosso antepassado comum para poder prosseguir as minhas investigações genealógicas. Há muita gente que não liga a isso, mas eu quero saber tudo em detalhe.

Os dois filhos do avô Joaquim nasceram em 5 de Maio de 1900 e 1 de Fevereiro de 1912, sendo este último o meu pai e fruto dos devaneios do Sr. Joaquim com a minha avó Ana. É curioso que a mulher do avô também se chamava Ana, ou seja, dois filhos chamados António, nascidos de duas Anas diferentes. O primeiro recebeu o apelido do pai que era Santos, o segundo ficou com o apelido do mardido da amante que era Silva.

Desta maneira, fiquei a conhecer a identidade do meu avô Joaquim, da sua mulher Ana e dos meus bisavós paternos que davam pelo nome de Manuel José e Marcelina. Vou tentar encontrar o registo do casamento do meu avô, mas não sabendo a data nem a freguesia onde se realizou não vai ser tarefa fácil. Logo veremos!

Fiéis defuntos!



Ontem foi o meu dia de passar pelo cemitério e recordar os parentes já falecidos. Quase toda a gente vai no dia 1 que é o dia de Todos os Santos, eu fui no dia 2 que é o dia dos Fiéis Defuntos, para mim o dia certo. Outra coisa, quase todos visitam a campa dos pais tios e irmãos, eu dediquei a minha visita aos avós e bisavós que estão lá para trás esquecidos no tempo.

A olhar para a campa do meu avô paterno, deixei o pensamento voar até ao longínquo ano de 1895, estávamos no princípio do mês de Junho com a natureza florida e as searas a ondular ao vento. A noiva era uma jovem cheia de sonhos que ainda não tinha completado 20 anos de idade. O noivo, mais velho 12 anos que ela, sabe Deus e mais ninguém o que o terá levado a escolher noiva tão jovem. Por vezes, havia gravideses inesperadas que aconselhavam o casamento para fugir à crítica do mundo, mas parece não ter sido o caso uma vez que daquele casamento nunca nasceu filho algum.

Corria o mês de Maio de 1909 e as relações entre os protagonistas desta história estavam cada vez mais azedas. Já com 46 anos de idade e desesperado com a ausência de descendência, o marido refugiou-se no álcool para esconder a mágoa. E com isso começaram os maus tratos em casa. Pela cabeça da mulher corriam outros pensamentos, e se a culpa de não engravidar fosse dele e não dela? Muitos dias tinham passado ouvindo acusações e muitas noites mal dormidas levaram-na a tomar uma decisão drástica. Tinha que comprovar a sua esterilidade e só havia uma maneira de o fazer.

Havia uma casa de lavoura, onde costumava trabalhar como jornaleira que tinha um filho, alguns anos mais novo que ela, que lhe costumava arrastar a asa e sabia do mau ambiente lá em casa. Pareceu-lhe ter encontrado a solução para o seu problema, era só deixar-se ir na conversa do jovem lavrador e ver o que acontecia. Não demorou muito que se visse grávida e foi contar a novidade ao marido. Não o posso saber com certeza, mas adivinho que foi mais uma grande bebedeira que ele apanhou para comemorar o acontecimento. Poucos meses depois, nascia uma menina de olhos azuis que foi a Glória (assim, com letra maiúscula, pois foi o nome com que a baptizaram) daquela casa, dali em diante.

O romance entre os dois amantes continuou, porque dois anos depois nasceu outro pimpolho, desta vez do sexo masculino, a quem puseram o nome de António, registado com o apelido do marido estéril que se chamava Silva, que veio a ser o meu pai e me transmitiu também o apelido dum avô que não era o meu. Coisas da vida.

Ao olhar para a campa do meu avô biológico passaram-me pela cabeça todos os detalhes de um passado que ninguém conhece, mas que se pode adivinhar pelos registos paroquiais deixados para trás. A minha bisavó Augusta Maria foi exposta na Roda da cidade de Braga, em 15 de Abril do ano de 1854. Quando chegou a idade de poder trabalhar, imagino que logo que completou 10 anos de idade, foi entregue pela Roda à família de João Faria, residente no lugar da Torre, da freguesia de Chorente, para com o suor do seu rosto pagar a sua sustentação. A Roda, naquele tempo, recebia tantas crianças que, o mais rápido possível, tinha que libertar-se de umas para receber as outras. Nada que não se compreenda.

Passaram-se uns anos e ainda antes de chegar à maioridade aparecu grávida. Quem era o pai? Nunca se soube. Podia ser o lavrador, em casa de quem vivia, um seu filho, ou outro homem qualquer que se aproveitou da sua juventude para a levar ao engano. Ou, em última análise, alguma paixoneta que tomou conta do seu coração e a levou a perder a cabeça. É difícil regressar ao ano de 1875 e encontrar testemunhas do que se passou com a minha bisavó Augusta Maria.

No dia 15 de Outubro de 1875, nove meses depois daquele romance de inverno, nascia uma menina que foi baptisada na freguesia de Gueral, a quem puseram o nome de Ana Maria (o mesmo da sua madrinha) e o apelido de Oliveira. Ainda hoje me pergunto - e não encontro a resposta - o porquê deste apelido. Onde foi a Augusta Maria desencantar esse apelido? Seria o verdadeiro apelido do pai da criança que ela quis preservar para o futuro da sua filha?

No cemitério de Gueral que abandonei após esta revoada de pensamentos que me atravessaram a mente, repousam no sono eterno o meu avô verdadeiro, de quem desconheço o apelido, aquele que me deu o apelido de Silva, e a Augusta Maria, mãe da minha avó Ana Que descansem em paz e Deus lhe tenha perdoado os seus pecados. Se no outro mundo as famílias se juntarem lá estarei junto deles, quando chegar a minha vez de entrar nessa dimensão !!!

Rissos e Cananos!

Os Rissos

Viajando através dos registos paroquiais do Século XVIII e XIX, são tantos os casos de filhos naturais, que é o mesmo que dizer, filhos de mães solteiras, que até dá vertigens. E se se consultar o registo de baptismos da «Villa de Barcellos», metade refere-se a crinças deixadas na Roda. Um verdadeiro pandemónio para quem procura determinar as suas raízes.

Descobrir quem foram os antepassados do avô Francisco José nunca me interessou muito, por saber que, embora tenhamos herdado o seu nome, não herdamos os seus genes. Por mero acaso, ou talvez não, descobri que a nossa relação de parentesco com os "Rissos" de Gueral se deve, exactamente ao avô Francisco ou, melhor dizendo, à sua mãe Maria das Dores. Mas comecemos pelo princípio.

No início do Século XIX, na freguesia de Santa Maria de Goios, do concelho de Barcelos, nasceu uma menina que recebeu o nome de Maria da Anunciação. Por falta de alguns documentos, além do interesse reduzido que o assunto me desperta, não consegui estabelecer o historial completo dessa personagem, mas para o que interessa à nossa história, descobri que também ela entrou para o rol das mães-solteiras ao dar à luz uma menina, a quem baptizou com o nome de Maria das Dores.

E como a coisa parece uma doença hereditária, também a Maria das Dores, à data residente na freguesia de Gueral, viria a dar à luz um rapazinho, sem marido que se lhe conhecesse. Francisco foi o nome escolhido para o baptizar. O segundo nome, José, talvez tenha sido escolhido pela mãe em honra do incógnito pai que não quis aparecer em público. E o apelido, Silva, só Deus saberá de onde veio.

As voltas que o mundo dá e que eu, hoje, sou incapaz de adivinhar, fez com que a Maria das Dores tivesse encontrado um homem, um carpinteiro da freguesia de Gueral, que quis casar com ela e a ajudou a criar o seu rebento. E que desse casamento, mais tarde, tenha nascido uma menina que, na Pia do Baptismo, recebeu o nome de Rita.

Pois foram estes dois meios-irmãos que, ao casar-se, ele com a minha avó Ana, ela com o Carlos Rodrigues (avô dos Rissos de Gueral e natural da freguesia de Fragoso), criaram os laços de parentesco que tanta estranheza me causavam por não compreender de onde vinham.

A descência da avó Ana já a conhecemos (como largamente explanada no grupo dos «Primos Cananos»), a do Carlos que casou com a Rita da Silva (até onde eu consegui descobrir) consta de três rapazes, Armindo, José e António e duas raparigas, Maria e Ana.

O mais novo de todos eles foi o António que viveu a sua vida em Macieira e tem lá filhos a morar ainda, assim como netos e bisnetos espalhados por esse mundo fora. A Maria Rissa, salvo erro, nunca se casou nem teve filhos. Nasceu em 1902, faleceu em 1981 e era a prima preferida do meu pai. Na próxima vez que passar no cemitério de Gueral, hei-de tentar descobrir se ela tem uma campa identificada. A Junta de Freguesia saberá informar-me disso, com certeza.

Depois de ler e reler o que atrás escrevi, uma coisa houve que começou a fazer-me desconfiar que houve malandrice na atribuição do nome José e do apelido Silva ao meu avô Francisco. Registado como filho de pai incógnito, eu ainda entenderia que a mãe tivesse querido dar-lhe um segundo nome e a sua escolha recaísse em José, mas o Silva é que não tinha lógica nenhuma.

De repente, ao ler pela segunda ou terceira vez o registo de nascimento da sua meia-irmã Rita, acendeu-se uma luzinha no meu cérebro e percebi tudo. Com um nome como aquele, António José da Silva, só podia ser ele o incógnito pai que, no ano de 1863, fugiu à sua responsabilidade e três anos mais tarde decidiu reparar o seu erro e casar com a desonrada mãe do Francisco que era seu filho. E assim a Rita que nasceu no ano seguinte, já dentro da casamento é, afinal, irmã de pai e mãe do meu avô.

Só que devem ter-se esquecido de legalizar o acto de perfilhação, ou então fizeram-no mas eu não encontrei o documento que o comprove. Ou, em última análise, sou eu que estou a sonhar com bruxas e nada disto corresponde àquilo que se passou naquele longínquo ano de 1867, na freguesia de Gueral.

Os Cananos

Segundo testemunhos recolhidos junto dos «Primos Cananos» mais velhos, a alcunha de CANANO vinha do avõ Francisco José e não da avó Ana Maria, como eu pensava.

Sabendo que o avô foi registado como filho de pai incógnito, mas que eu estou cnvencido ser filho do carpinteiro de Gueral, António José da Silva, tal como expliquei em Rissos – Parte II, falta-me apenas saber se era o carpinteiro que usava a alcunha de Canano, ou pelo contrário foi a mãe, Maria das Dores, que o trouxe de Goios.

Com muita pena minha, vou ter que deixar este assunto morrer, pois não há ninguém vivo que me possa ajudar a esclarecer este mistério. Os Rissos de Macieira não sabem de nada, como me confirmou o José e a Prazeres, nem sequer a origem da sua alcunha, Rissos. Cheguei a um beco sem saída!

A teoria da Oliveira!


Quando tenho dados suficientes à minha disposição, estudo-os com o maior cuidado para não arriscar a dizer asneira. Mas quando me faltam esses dados, sou rápido a inventar uma teoria que pode estar certa ou errada, mas que ninguém possa contestar. É este o caso que vos passo a relatar.

No ano de 1875, na freguesia de Chorente, concelho de Barcelos, nasceu uma menina que foi baptizada com o nome de ANA MARIA. No assento de baptismo não são requeridos quaisquer apelidos e, por conseguinte, só alguns anos mais tarde, talvez com a emissão da famosa «Cédula», documento percussor do «Bilhete de Identidade», a mãe da Ana Maria se viu na necessidade de "inventar" um apelido para a sua menina que tinha nascido de "pai incógnito". E, vá lá saber-se porquê, foi OLIVEIRA o apelido em que recaiu a sua escolha.

Ao fazer esta escolha, acredito que ela nos quis transmitir uma mensagem. Como primeira hipótese vem-me à cabeça que este poderia ser o apelido do incógnito pai da sua filha e quis que ficasse claramente indicado nos documentos de identidade da sua filha. Bem gostaria de descobrir se em Chorente viveria algum Sr. Oliveira que praticasse o desporto de engravidar meninas solteiras, mas, infelizmente, não tenho meios de lá chegar.

A segunda hipótese, muito mais romântica que a primeira, tem a ver com o facto de a mãe da Ana Maria ter nascido em Guimarães, cidade famosa pela sua Oliveita e igreja do mesmo nome, existentes no Largo do Toural. Nossa Senhora da Oliveira, figura do culto mariano que muitos desconhecem, tem a ver com o Jardim das Oliveiras e o Calvário de Jesus Cristo.

A minha bisavó AUGUSTA MARIA, pois é dela que se trata, nasceu em Guimarães, sem pai nem mãe que fossem conhecidos e pode ter-se agarrado a Nossa Senhora da Oliveira, atribuindo esse apelido à sua filha para lhe augurar um futuro mais promissor que o seu. Confesso que esta segunda hipótese é a minha preferida!

Herdeiros do Tio Luiz!

Como já aqui escrevi, o Tio Luís de Sousa teve 4 filhos, 2 de cada sexo. Já sabia que as duas filhas morreram sem deixar descendência. Do filho Francisco não descobri qualquer rasto. Do Fernando descobri agora que tem uma filha (ou será neta?), chamada Fátima, que é ainda viva e mora na Lagoa Negra. Tem cerca de 80 anos e usa a alcunha de Igreja. Um dia destes vou tentar saber o seu nome completo e pedir um registo do nascimento para conferir o nome dos antepassados.

A primeira geração!

Pedro de Araújo e Maria Álvares são os primeiros (mais antigos) antepassados que encontrei nos registos paroquiais de Macieira. Como na publicação anterior só mencionei o Pedro, quis chamar a atenção para a Maria Álvares que voltará a aparecer algumas gerações mais tarde, como esposa do avô Jerónimo.





Do Pedro à Raquel!

Já uma vez aqui falei dos apelidos. Na imagem acima podem ver-se 12 gerações dos meus familiares, começando no avô Pedro que usava o apelido de Araújo e acabando na Raquel que é minha neta e usa o apelido de Silva, o qual recebi do meu avô paterno e transmiti ao meu filho Marco que é o pai da Raquel.

Quatro gerações usaram o apelido de Araújo, até o avô Jerónimo o mudar para Ferreira que era o apelido de seu pai. Um tanto estranho, pois à data era costume dar aos filhos o apelido da mãe que neste caso seria Alvares. Aliás, como se pode ver pelo casamento do avô Joaquim que perdeu o seu apelido em favor da mulher que iniciou a era dos Souzas na nossa família, a qual durou até ao casamento da minha mãe com um Silva. Depois da implantação da república, em Portugal, era norma os filhos receberem dois apelidos, o primeiro da mãe e o último do pai. Assim eu me tornei Alves da Silva

Uma vez que eu só tive um filho homem ( Marco) e ele apenas uma filha (Raquel), o apelido Silva termina aqui. Se a Raquel se interessar por estas coisas, cabe-lhe a ela completar este mapa geracional, acrescentando-lhe o apelido do pai dos seus filhos, se os vier a ter.


Embora tenha pouco interesse, porque não é utilizado, deixo aqui uma lista dos prefixos a antepor á palavra avô para definir a geração:

Bis-avô
Tris-
Tetra-
Penta-
Exa-
Hept-
Oct-
Ene-
Dec-
Endec-
Dodec-
Trisdec-


E por aí fora. Sendo, portanto, Pedro de Araújo o endecavô da Raquel.

O avô Jerónimo é que sabia!

Ele herdou do seu pai o apelido de Ferreira e passou-o aos seus filhos, como mandam as regras. E tendo casado com uma senhora que tinha por apelido Alvares da Silva, juntou o Alvares ao nome dos filhos também. Alvares Ferreira foi, portanto, o apelido da geração seguinte e muito bem, assim deveria ter continuado.

Entretanto, o seu filho José casou com uma senhora de Balazar, de apelido Souza, e esta transmitiu esse apelido a todos os seus filhos que juntou ao de Alvares da avó materna. Joaquim Alvares de Souza é um desses filhos e o patrono do meu ramo de família que descende do avô Jerónimo, passadas que são 7 gerações.

Do Joaquim nasceu a minha bisavó Eusébia que mudou o Alvares para Alves e foi Sousa como o seu pai e avó. A sua filha Maria e neta Rita não fizeram mais que copiar os apelidos das suas mães, mas foi a última geração de Souzas (ou Sousas) desta linhagem vinda de Balazar. De seguida o apelido Silva, introduzido pelo casamento da minha mãe com o meu pai, veio dar início a uma nova linhagem que pode durar séculos. Pelo menos assim parece pelo número de filhos (homens), netos e bisnetos com que já conta nesta data.

Notas:

Helena Maria de Souza, filha de Thereza Maria de Souza, de Balazar, casada com José Alvares Ferreira
Joaquim Alvares de Souza, filho de Helena e José, casado com Maria Isidória.
Eusébia Alves de Sousa, filha de Joaquim.
Maria Alves de Sousa, filha de Eusébia (solteira).
Rita Alves de Sousa, filha de Maria (solteira).

Caetanos vs Souzas!



Na reunião de família acontecida ontem, perguntaram-me qual o parentesco entre nós, os descendentes da ilustre Helena Maria de Sousa, e os Caetanos de Macieira, cujo representante e nosso contemporâneo, o António, era visita habitual na casa dos nossos pais.

No esquema acima aparece uma Maria Isidória que viria a casar com o nosso trisavô Joaquim Alvares de Sousa. Pois essa Maria Isidória tinha um irmão chamado Manuel que herdou os apelidos de Caetano ( de um homem de Macieira que suspeito seja seu avô) e Ferreira do seu pai (e também do suposto avô que se chamava Manuel Caetano Ferreira).

O Manuel José Ferreira, pai da Maria Isidória, foi registado como filho de pais incógnitos e criado por caridade numa paróquia de Ponte de Lima. No entanto, as investigações que fiz levam-me a crer que o seu verdadeiro pai é Manuel Caetano Ferreira que o trouxe para Macieira e ali o casou com uma rapariga de Courel, quando atingiu a maioridade.

Esta é a explicação mais plausível para o facto de o primeiro filho varão de Manuel José Ferreira ter sido registado com o nome de Manuel Caetano Ferreira e que foi o percursor da família dos Caetanos de Macieira que ainda hoje existe.

Finalmente, notícias!

Há bastante tempo que não vinha aqui actualizar a informação sobre os meus antepassados. Como já tinha mencionado, o tio Manel Sousa, irmão do meu avô materno António, morava aqui na Póvoa e foi um grande azar eu não ter descoberto isso enquanto ele era vivo. No seu registo de nascimento existe um averbamento que se refere ao seu casamento, com 75 anos de idade, aqui na Igreja Matriz da Póvoa. E como a noiva era 5 anos mais nova que eu, isso deu-me pica para ir à sua procura e saber até que ponto ela tinha entrado, de facto, na nossa família.

Pelo registo do casamento descobri a identidade da noiva e no Registo Civil consegui uma cópia completa do seu registo de nascimento, onde consta o seu casamento com o tio Manel, a viuvez que chegou 3 anos depois e também o novo casamento com um homem de Aver-o-Mar, apenas alguns meses depois. Além desta informação, não havendo qualquer averbamento de óbito, soube que ela era viva.

Claro que fiquei em pulgas para a encontrar, mas faltava-me conhecer a sua morada. Alguém me soprou ao ouvido que com o seu nome e data de nascimento podia descobrir isso no Recenceamento Eleitoral. Dito e feito, em três tempos tinha a sua morada e o número de eleitor. Nascida em Rates, viveu muitos anos longe da sua terra, mas voltou para lá a tempo de lá enterrar o seu segundo marido, falecido em 2008.

Hoje, fui almoçar a Balazar e aproveitei a oportunidade para fazer um desvio por Rates e tentar encontrar a «Tia Olívia». Não foi difícil a empreitada, pois uma das pessoas a quem perguntei por ela já tinha sido carteiro e disse-me logo que sabia quem era e onde estava. Nada mais, nada menos que no Centro Social da freguesia, ali a uns míseros 50 metros do lugar onde eu tinha ido parar.

Dirigi-me para lá rezando para que ela estivesse no seu perfeito juízo e me conseguisse dar alguma informação sobre os nossos parentes de Santa Eulália. Infelizmente, não tive muita sorte nesse capítulo. Ela tolinha não está, mas as suas memórias estão um pouco baralhadas. A todas as minhas perguntas ia respondendo de modo pouco claro e acabava sempre a referir-se ao segundo marido e às enteadas, 4 filhas que o marido já tinha quando se casou com ela, que a atazanavam por causa das partilhas da herança do seu pai que era praticamente nula.

Percebi, sem muitas certezas, que não teve qualquer filho, nem do Tio Manel nem do segundo marido e isso faz terminar por aqui a minha investigação. Entrou e saiu da nossa família num piscar de olhos e nunca chegou a ter qualquer relacionamento com os cunhados de Santa Eulália, se é que ainda era vivo qualquer deles nessa data, coisa que não consegui ainda descobrir. Talvez, num futuro próximo, me decida a deslocar a Barcelos e tentar descobrir que destino levaram os dois filhos mais velhos do avô João José de Sousa.

2024-01-21

A História continua!

Estamos quase a chegar ao fim deste ano de 2016 e ainda não avancei um milímetro no que respeita à história do tio Manel que foi meu vizinho, na paróquia da Matriz, nos seus últimos anos de vida. Já fui ao Registo Civil, mas não conseguiram localizar o seu registo de óbito. Agora vou lá voltar com uma cópia do registo de baptismo, onde, à margem, constam os averbamentos do seu casamento e óbito e espero ter mais sorte. E, a título de arquivo de segurança, deixo aqui abaixo uma cópia desse registo.


Assento de baptismo - Paróquia de Rio Covo (Santa Eulália)

A Avó Maria!

Duzentos anos mais nova que eu e com algumas particularidades que me dão que pensar, a nossa avó Maria (Alvares da Silva), em 22 de Junho de 1764, casou-se com o avô Jerónimo e mudou-se do lugar do Outeiro de Goios, onde nasceu, para o lugar do Outeiro, de Macieira, onde criou a família em que eu viria a nascer, muitas gerações depois, em Março de 1944.


Reparem agora no nome da mãe, do padrinho e pároco de Goios e da testemunha, pároco de Pedra Furada. É tudo família! Não me vou dar ao trabalho de pesquisar qual a relação familiar entre eles, basta-me saber que eram todos meus familiares, oriundos do lugar do Outeiro, da freguesia de Goios. E também que houve uma grande linhagem de padres com o mesmo apelido que duraram até ao ano de 1880, altura em que a minha bisavó Eusébia ali foi parir o seu filho de pai incógnito, talvez com vergonha de o fazer em Macieira. Protecção familiar com ajuda divina, digo eu!

Alvares, o nome e as provas!

Fiz uma investigação a fundo a todos os Alvares que aparecem nos Registos Paroquiais de Macieira e encontrei duas mulheres com o mesmo nome, Maria Alvares da Silva, que merecem um estudo mais aprofundado. A primeira csaou-se em Agosto de 1757, morava no lugar de Travassos e era filha de pai incógnito, o que não permite levar as pesquisas por diante. A segunda veio de Goios, depois do casamento com o nosso avô Jerónimo, em 1764.

Antes delas, houve um Manuel Alvares que veio casar a Macieira, em 1722, mas era de Balazar e para lá deve ter levado a mulher, pois não aparece qualquer registo de filhos seus na nossa freguesia. E depois delas, na última década do século XVIII, aparecem dois homens com este apelido. Um deles é filho de Simião Martins, do lugar de Modeste, e não sei de onde lhe veio o apelido Alvares, sendo o pai Martins e a mãe Costa. O outro era de Arcos, casou-se e ficou a viver em Macieira.

Diria, por conseguinte, que a nossa avó Maria Alvares da Silva, vinda de Goios, filha da Maria Alvares da Silva e neta de Bento Alvares da Silva, de Pedra Furada, são aqueles a quem se deve a introdução do nome, na freguesia de Macieira. Do seu casamento com o avô Jerónimo nasceram 7 filhos que usaram o apelido de Alvares Ferreira e o transmitiram aos seus descendentes, como é o meu caso.

Termino este relato deixando, aqui abaixo, as imagens dos vários registos que comprovam aquilo que acima deixei escrito.





O primeiro refere-se ao casamento de Bento Alvares com Izabel Antónia, em Pedra Furada, em 1703.

O segundo, ao baptismo da sua filha Maria, em 1717.

O terceiro, ao casamento de Maria com José da Fonseca, de Goios, em 1740.

O quarto, ao baptismo de Maria (aquela que viria a ser nossa avó), no ano de 1744.

E a história continua com o seu casamento, em Junho de 1764, mudança para casa do seu marido, no lugar do Outeiro da freguesia de Macieira e posterior falecimento, em Junho de 1805.

Os Alvares de macieira!


Durante o Século XVIII houve, no lugar do Outeiro, uma família de apelido Alvares que não tem ligação directa com a nossa. Lembro-me de alguns documentos que me passaram pelas mãos, em que se falava de Balazar, mas não tenho memória exacta disso. Talvez um dia me decida investigar isso em pormenor e consiga descobrir se havia ou não algum parentesco. Havia também os Alvares de Negreiros, avós do nosso avô Jerónimo, mas também esses não são para aqui chamados.


Como se vê na imagem acima, foi a Maria Alvares da Silva, ao casar-se com Jerónimo Ferreira que trouxe para Macieira o apelido de Alvares e o transmitiu ao seu filho José e este ao seu filho Joaquim e este à sua filha Eusébia que depois o passou à sua filha Maria e à sua neta Rita, fazendo-o chegar até nós. Eusébia foi a primeira da nossa linhagem a substituir o Alvares por Alves.

Bento Alvares, do lugar de Real da freguesia de Pedra Furada, está na origem desse apelido. No ano de 1740, a sua filha Maria casou com José da Fonseca, de Goios, freguesia onde ficaram a morar e onde, no ano de 1744, nasceria a sua filha Maria que viria a casar-se com o nosso avô Jerónimo e vir morar para o lugar do Outeiro, onde a nossa família permaneceu até ao ano de 1960.

A freguesia de Pedra Furada foi, por conseguinte, uma referência para os nossos antepassados e por alguma razão a nossa bisavó Eusébia se foi lá refugiar, quando se viu grávida do primeiro filho. Mais tarde viria a casar com um viúvo de Barqueiros, freguesia onde nasceu a nossa avó Maria, no ano de 1890. Alguns anos depois de enviuvar, quis regressar a Macieira, de onde tinha saído com 28 anos de idade, e com ela foram também a filha, Maria, e a neta, Rita, esta nascida entretanto na freguesia de Rio Mau.

Afinal, eu estava errado!

De raciocínio em raciocínio tinha chegado à conclusão que a Maria Dias que casou com o meu tio Luís era irmã do Agostinho Dias que casou com a sua irmã (e minha bisavó) Eusébia. Com tantos Dias em Barqueiros e dois irmãos vindos de Macieira de Rates que ali foram casar com dois Dias, era fácil pensar que se tratava de dois irmãos também. Mas, de facto, não era assim e só depois de ter descoberto que a primeira mulher do Agostinho Dias viera da freguesia de Palme, na zona norte do grande concelho de Barcelos, é que encontrei o caminho da verdade.

Os pais do Agostinho Dias que casou com a minha bisavó eram Domingos Gomes Dias e Maria Antónia. Por outro lado os pais da Maria Dias que casou com o irmão da minha bisavó eram José Francisco Dias e Roza Barboza.

O desaparecimento dos livros dos Registos Paroquiais da freguesia de Barqueiros, do ano de 1750 a 1850 (datas aproximadas) não me permite fazer todas as pesquisas como eu gostaria, o que me leva a incorrer neste tipo de erros.

Os descendentes do tio Luís usaram o apelido de Dias de Sousa e já consegui saber que dois deles morreram sem deixar descendência, mas nada descobri ainda quanto aos outros dois. Pode ser que um dia o consiga ainda descobrir.

Caetanos, o fim da linha!

Afinal não demorei muito a descobrir o nome do pai do «Tone Caetano», chamava-se João e era filho do António, este nascido em 1852 e quarto filho do primeiro Caetano, o Manoel.

De um outro blog que conta a história de muita da gente de Macieira, transcrevo este pequeno excerto que explica aquilo que vinha aqui dizer:

«O quarto desses filhos, de seu nome António, nasceu em 1852, vindo a casar em 1880 com Bernarda Martins de Lemos, ficando a morar no lugar do Picoto, e juntos deram ao mundo (e a Macieira) 8 filhos. O primeiro desses filhos chamava-se João, nascido no ano de 1881 e que, no princípio do Século XX viria a casar com Maria da Conceição, nascida em 1887, no lugar do Rio».

Desse casamento nasceu o meu primo António que se casou com uma rapariga da Casa do Novais e ambos são já defuntos sem terem deixado descendência.

Os Caetanos!

A ignorância é uma coisa que dói!

Assim como não sabia pelo lado de quem os Rissos eram meus primos, também nunca ninguém me soube explicar o porquê de o António Caetano, visita assídua na casa do meu pai, ser tratado por nosso primo. Saturei-me de viver na ignorância e fui à procura das respostas. A história dos Rissos já aqui vos contei. Hoje, é a vez de saberem quais os laços que nos ligam aos Caetanos.

A história começa nos últimos anos do Século XVIII, em S.Julião do Freixo, freguesia do concelho de Ponte de Lima, onde uma criança do sexo masculino é abandonada à porta de um lavrador que a manda baptizar e se encarrega de a criar até esta se transformar num adulto e tomar conta do seu destino. E o destino do Manoel José, esse foi o nome que recebeu no baptismo, levou-o até Macieira, onde encontrou a mulher da sua vida e se casou.

Chamava-se Ana Maria a mulher que viria a juntar ao seu o destino do Manoel José. Nascida na freguesia de Courel e já sem pai nem mãe que a ajudassem a singrar na vida, encontrou em Macieira um trabalho que lhe garantia o sustento e por lá se deixou ficar até o seu destino se cruzar com o de Manoel José. No dia 14 de Fevereiro de 1820 apresentaram-se na presença do pároco da freguesia, José Joaquim Soares da Costa, que os casou e abençoou.

Nos finais desse ano de 1820, nasceu a primeira filha do casal, Maria Isidora de seu nome. Cerca de 2 anos mais tarde nascia o seu irmão Manoel. Nesse tempo vivia em Macieira um tal Manoel Caetano Ferreira que veio a ser o padrinho destes dois irmãos. No princípio das minhas investigações pensei ser ele o pai deste Manoel, nascido em 1822, mas depressa perdi essa convicção, porque tendo casado em 1796, este Manoel Caetano teve apenas uma filha, nascida no ano de 1800, a que chamou Maria Vitória.

O facto de o Manoel José, vindo de S. Julião do Freixo para Macieira, também se chamar Ferreira pôs a minha imaginação a funcionar e já via pais incógnitos e tios escondidos nesta história da criança abandonada que não tinha pai nem mãe que se conhecesse. E tudo isso pode ser, mas o único facto provado é que mal o Manoel José Ferreira apresentou a sua filha Maria Isidora na Pia Baptismal, foi o Manoel Caetano Ferreira quem lhe deu as bençãos de padrinho. E o mesmo aconteceu quando foi baptizado o Manoel, segundo filho do Manoel José. Uma relação muito forte, ou então um parentesco escondido podem ser a explicação para este duplo apadrinhamento.

O facto é que este rapaz, nascido e baptizado em 1822, ficou a chamar-se Manoel Caetano Ferreira, tal e qual como o seu padrinho. Por esse tempo não era costume as mulheres usarem apelido, eram tratadas, simplesmente, pelo seu nome de baptismo. Se assim não fosse, a irmã do Manoel chamar-se-ia Maria Isidora Ferreira.

Chegados a este ponto, estamos em presença das duas personagens que deram origem, na freguesia de Macieira, a duas famílias distintas que foram evoluindo em sucessivas gerações até aos dias de hoje. No ano de 1842, a Maria Isidora casou com Joaquim Alvares de Sousa, união de onde nasceu a minha bisavó Eusébia. E no ano de 1847, o seu irmão Manoel casou com uma rapariga de Pedra Furada, de seu nome Brígida Joaquina, ficando a viver, tal como a sua irmã, no lugar do Outeiro.

A Maria deu à luz 11 filhos, entre 1843 e 1862, enquanto a sua cunhada Brígida pariu 13 filhos, entre 1848 e 1869, começando logo com um par de gémeos, José Maria e António Maria. De um e outro lado, houve filhos que não atingiram a idade adulta e, coisa curiosa, a Maria queria um Rodrigo e só ao terceiro conseguiu que ele sobrevivesse. Também a sua cunhada queria ter uma filha com o nome de Maria e morreendo-lhe a primeira baptisou uma segunda com o mesmo nome que acabaria por morrer também. Só em 1863, já quase no fim do seu período fértil, teve outra menina a quem voltou a dar esse nome. E como diz o ditado, às três é de vez, essa sobreviveu.

A geração da Maria, no que a mim diz respeito, já foi aqui devidamente explicada (Maria-Eusébia-Maria-Rita). Quanto aos Caetanos, basta-me saber que os 13 filhos do Manoel Caetano eram primos direitos da minha bisavó Eusébia. Se soubesse o nome dos pais do António Caetano que era visita da casa do meu pai, facilmente descobriria as suas origens e o real parentesco que tinha com a minha mãe, mas isso para o caso já pouco interessa.

Ana Canana!