2024-01-21

De volta à Lagoa Negra!

Como já vos contei, a minha bisavó Eusébia emigrou de Pedra Furada para Barqueiros, levando consigo o seu filho de dez anos de idade, para se casar com o velho Agostinho que tinha perdido a sua Jozefa e não estava na disposição de passar o resto da sua vida sozinho. Desse casamento nasceu a minha avó Maria, cuja história já aqui foi contada também. Mas, hoje, vou seguir por outro caminho e falar-vos do rapaz de dez anos de idade que, no ano de 1890, se viu a viver numa terra estranha e no meio de pessoas que não conhecia de lado nenhum.


Não tinha reparado ainda, mas as duas assinaturas que aparecem no assento de baptismo do tio Carlos (deixem-me chamar-lhe assim, uma vez que sendo irmão da minha avó tem direito a esse tratamento) levam-me a supor que há laços de família muito estreitos entre a mãe do baptizado, o padrinho e o pároco e que deve ter sido essa a razão que a levou de Macieira para Pedra Furada para ali dar à luz e criar o seu rebento nascido sem pai que se conhecesse.

Mas esse é um capítulo que pertence ao passado e hoje quero falar do futuro, quero dizer, dos anos após a sua chegada à Lagoa Negra. Não posso garantir que assim tenha sido, mas imagino que o tio Carlos passou a ser uma espécie de criado para todo o serviço em casa do seu padrasto Agostinho. Com dez anos de idade já completos, não quero crer que se tenha posto a hipótese de o matricular na Escola Primária para aprender a ler e a escrever. A vida era dura, naqueles tempos, e é quase certo que o velho noivo da minha bisavó se regia por aquele princípio que rezava assim - em casa dest'home quem não trabalha não come.

Não admira, portanto, que o tio Carlos tivesse uma certa pressa de se casar e tratar de formar a sua própria família, coisa que veio a acontecer no ano em que completou vinte e dois anos de vida.





Embora de difícil leitura, aqui vos deixo o respectivo assento de casamento, onde se pode ver o nome e a idade da noiva, Maria Fernandes Páscoa, de trinta e três anos de idade que, tal como o noivo, é também filha de mãe solteira, nascida e baptizada na freguesia de Barqueiros.

Para não tornar este capítulo longo demais, vou deixar de fora a descendência do tio Carlos, a que voltarei mais tarde, e terminar com uma imagem mais, a do assento de óbito da mãe da noiva, referida aqui acima, que tendo ocorrido no ano anterior ao do casamento me leva a supor que foi uma razão mais a concorrer para que o casamento acontecesse. Como se pode ler no documento que a imagem nos mostra, também a defunta era, tal como a sua filha, filha de mãe solteira. Um ciclo que só a neta Maria, ao casar-se com o tio Carlos, interrompeu.


E assim ficamos também a saber qual a origem do nome Páscoa que eu julgava ser uma alcunha usada pelas sobrinhas da minha avó Maria. Herdaram o apelido Fernandes, do lado da mãe, e o Sousa, do lado do pai, e o Páscoa da mãe e avó perdeu-se para todo o sempre.

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Ana Canana!