2024-01-22

Rissos e Cananos, a explicação!

Não é a primeira vez que abordo este assunto, mas será a última, pois depois disto nada mais sei o que possa acrescentar. No lugar do Outeirinho, da freguesia de Gueral morava um dos meus antepassados que dava pelo nome de Agostinho José da Silva e tinha um filho chamado António cujo apelido era igualmente José da Silva. Esse era o meu bisavô paterno.

De Santa Maria de Goios veio para Gueral uma moça que caiu no goto do meu bisavô e começaram a namorar. Em menos tempo do que me demora a contá-lo estava a moça grávida e passaram-se os nove meses seguintes sem se falar em casamento, pelo que a criança foi registada como filho natural da Maria das Dores. E foi chamado de Francisco com os mesmos apelidos do pai e avô, José da Silva. Esse era o meu avô Francisco.

E o namoro continuou, pouco mais de três anos depois, apareceu uma nova gravidez e o carpinteiro do Outeirinho (pois era carpinteiro o meu bisavô) decidiu dar o nó para evitar que a moça tivesse que registar outro filho natural. Foi o casamento em Junho e nasceu o bebé em Agosto. Imagino que o abade de Gueral deve ter feito um sermão e peras à noiva que já era mãe solteira e lhe aparece no altar grávida de sete meses. E a criança que nasceu, já registada como filha legítima, era uma menina e recebeu o nome de Rita. Anos mais tarde haveria de nascer ainda outra menina, a quem foi dado o nome de Maria, mas que não vem ao caso para a história que vos estou a contar.


Como curiosidade, notem que as duas testemunhas do casamento, assim como o pároco que o realizou, tinham o mesmo apelido, talvez fossem todos irmãos!

Estes dois irmãos, Francisco e Rita, casaram em Gueral, ele com a minha avô Ana Maria e ela com um senhor chamado Carlos Rodrigues que da freguesia de Fragoso tinha vindo para Gueral trabalhar como jornaleiro. Cada um deles formou uma família, ele a dos Cananos, ela a dos Rissos que toda a gente ficou a conhecer, nem sempre pelas melhores razões, na freguesia de Gueral. Rissos e Cananos são duas alcunhas que não sei o que significam nem de onde vieram. Toda a gente a quem perguntei encolheu os ombros e disse nunca ter questionado isso, eram assim tratados por toda a gente e para gente simples que nunca se preocupava em conhecer a razão das coisas, isso era suficiente. Eu sou muito diferente, vou até ao fim do mundo para descobrir a origem das coisas.

Eu, como neto do avô Francisco pertenço ao grupo dos Cananos e tanto quanto sei, só há Cananos a morar em Silveiros e Remelhe, descendentes dos meus primos Manuel e José, que todos os outros ganharam alcunhas diferentes. O avô Francisco era estéril, mas registou em seu nome, na Conservatória do Registo Civil de Barcelos, três filhos, a Glória, o António e a Ana. Foi a Glória e os seu muitos descendentes que herdaram e espalharam pelo mundo os Cananos.

Os filhos da Rita, Armindo nascido em 1877, José nascido em 1899, Maria nascida em 1902, Ana nascida em 1905 e António nascido em 1908, formaram a família dos Rissos que se espalhou por Gueral, Macieira e Rates (tanto quanto me foi dado descobrir). O Armindo que conheci e faleceu, há meia dúzia de anos, em Gueral, seria sobrinho e afilhado deste Armindo, filho mais velho da Rita, a minha tia-avó.

O filho mais novo, o António casou e veio morar para Macieira, tal e qual como o meu pai que tendo nascido em Gueral, também veio casar a Macieira e ali ficou a morar, durante 21 anos, até 1960, ano em que rumou ao sul e, depois de alguns meses a morar em Argivai, se fixou em Touguinha, freguesia do concelho de Vila do Conde, até ao dia da sua morte, em 2002.

Ambos os Antónios, o Risso e o Canano, formaram grandes famílias que se espalharam pelo mundo. Em Macieira resta um filho do Risso e nenhum Canano. Será preciso percorrer alguns concelhos, de distritos diferentes e até a emigração para os localizar a todos. Como curiosidade, refiro ainda que ambos os Antónios tiveram uma filha a quem deram o nome de Prazeres e que são, hoje, amigas no Facebook!

E mais não digo, pois há sempre alguma coisa que devemos guradar para nós próprios!

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Ana Canana!