Ao descobrir que tinha lido mal o assento de casamento da avó Rozália, mãe do avô Jerónimo, que pensei ser 1737, mas era afinal 1727, criei um problema que me tem feito perder muito tempo. Mas como podia ela casar em 1727 se tinha nascido em 1715 e era, por conseguinte, uma criança de 12 anos? Com toda a certeza me tinha enganado ao tomar nota dos nomes das gerações mais novas e tinha ido parar a um beco sem saída.
Para sair desta dúvida só tinha um caminho a seguir, voltar ao princípio e reconstituir toda a árvore genealógica da família, a partir da minha bisavó Eusébia. E lá fui seguindo o caminho, sempre com muito cuidado para não escorregar para fora da pista, pai Joaquim, avô José, bisavô Jerónimo, este filho de Rozália Francisca de Araújo (o apelido de Araújo raramente aparece nos documentos, mas tem razão de ser uma vez que era filha de António de Araújo), nascida em 1715, casada em 1727 e que em 1733 deu à luz o seu primeiro filho, de seu nome António, dez anos antes do Jerónimo, de quem descendemos nós os filhos da Tia Rita da Eusébia.
O ter engravidado só depois de completar os seus 17 anos dá um certo ar de veracidade a esta história. Aqui chegado, admitindo, portanto, que não há erro na identificação das personagens, eu vejo a história assim. No ano de 1722 veio de Balazar o Manoel Alvares casar com uma filha do Manoel Gonçalves do Outeiro. O Manoel Ferreira que se casou com a Rozália era filho de Miguel Alvares de Gueral e uma geração depois, foi o Jerónimo, neto de Miguel Alvares a ir procurar noiva, em Goios, e quem foi ele escolher? Maria Alvares, pois claro.
O que estou a tentar dizer, mas não consigo provar, pois para isso teria que revirar do avesso os registos paroquiais de meia dúzia de freguesias, é que havia interesses económicos em jogo e que estes Alvares eram todos familiares entre si e iam casando os seus filhos, primos com primos, para manterem, ou aumentarem, as posses da família. E desse modo, a Rozália foi prometida legalmente ao filho de Miguel Alvares, o qual veio morar para o Outeiro, no ano de 1727, juntando-se ao seu primo Manoel que o tinha já feito cinco anos antes. Talvez um dia eu volte ao assunto, se conseguir descobrir o fio desta meada,
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