2024-01-21

Primos e vizinhos!

Dos nove filhos do meu bisavô João Joze, três vieram parar à Póvoa. A vida para os lados de Santa Eulália não devia ser fácil e o remédio foi botar o pé na estrada e procurar outras paragens onde fosse mais fácil alinhavar um futuro. António era o mais velho dos três, por aquilo que sei, trabalhou nas casas agrícolas do concelho da Póvoa e mais tarde emigrou para França. Geremias era o número cinco, por ordem de nascimento, e veio também para a Póvoa trabalhar como marçano. Constituiu família, mas acabaria por morrer muito jovem ainda, com trinta e nove anos apenas, talvez levado por alguma doença ruim. Manoel era o sétimo filho de João Joze, quase cinco anos mais novo que o Geremias e doze que o António, veio também procurar meios de vida nesta terra de pescadores. Ainda não consegui descobrir coisa alguma sobre a sua vida, o que fazia, se tinha ou não família e, em caso afirmativo, se era ou não numerosa. Só descobri, porque está averbado no seu registo de nascimento, que se casou na Igreja Matriz da Póvoa e nesta terra faleceu, no ano de 1982, com a idade de 68 anos.

No caso de ele ter tido muitos filhos, existe a grande possibilidade de se terem cruzado comigo centenas de vezes, uma vez que vivo há quase cinquenta anos na mesma paróquia da Matriz. A Rua 1º de Maio que dá acesso ao centro da Póvoa, é uma espécie de carreiro de formigas por onde passa toda a gente que vive na parte nascente da cidade.

No início do Século XX, os moradores da Póvoa dividiam-se em quatro grandes grupos. O primeiro ocupava uma área de cem metros em redor da Câmara Municipal e nas imediações da Rua da Junqueira, e era constituido pela classe média e pela gente mais rica. Na beira-mar, ao norte e sul do Passeio Alegre, situavam-se os dois bairros de gente que vivia do mar, da pesca, do pilado e do sargaço. O resto da população, mais ligada ao comércio e às artes e ofícios, ocupava toda a área nascente da cidade, vila nesse tempo. Tudo isto para dizer que é quase certo que o Tio Manoel residia nesta última zona e devia andar para cima e para baixo pela Rua 1º de Maio cada vez que saía de casa.

Se tiver casado por volta de 1930, poderá ter filhos mais ou menos da minha idade. Os tais primos com quem me posso ter cruzado centenas de vezes, na mesma rua onde moro, sem fazer a mínima ideia do laço familiar que nos une.

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Ana Canana!