2024-01-20

Os nossos avôs!

Já aqui referi, em tempos, que tanto o meu avô paterno, como o materno, foram refractários à minha família. O primeiro porque não era o marido da minha avó e não podia dar as caras e o segundo porque ficou registado que era incógnito e morreu continuando a sê-lo.

Meti na cabeça que tinha que reunir elementos sobre as suas respectivas identificações e desde há algum tempo que ando às voltas com esse assunto. Sem quaisquer bases por onde começar a investigação não é tarefa fácil, mas ontem fiz uma visita ao Registo Civil e trouxe alguns dados que me permitiram, depois de horas a decifrar velhos registos paroquiais, localizar o assento de baptismo do meu avô materno.

Sempre o imaginei natural da Póvoa e fiquei admirado ao descobrir que também ele, tal como a minha avó, era natural do concelho de Barcelos e mais precisamente da freguesia de Santa Eulália de Rio Covo. Já o pai dele, o meu bisavô João, era da freguesia de S.Bento da Várzea e a mãe, a minha bisavó Maria Rosa, da freguesia de Airó. As voltas da vida levaram-no até à freguesia de S.Cristóvão de Rio Mau, no concelho de Vila do Conde, onde conheceu a minha avó e juntos deram vida à minha mãe, única da família nascida fora do concelho de Barcelos.

A razão porque não houve casamento nunca chegou ao meu conhecimento, mas imagino que razões familiares tenham estado na origem disso. Sem fortuna, sem família e com dificuldades em encontrar emprego, ele acabaria por emigrar para França e por lá viveu sozinho até morrer, por volta da época em que sucedeu a revolução dos cravos, em Portugal. Estou a planear dar um novo pulinho ao Registo Civil para ver se será possível localizar o registo do óbito.



Aos quatorze dias do mês de Novembro do ano de mil oitocentos e noventa e dois, nesta igreja paroquial de Santa Eulália de Rio Covo, anexa à freguesia de Santa Maria de Moure do concelho de Barcelos e diocese de Braga, o Reverendo Candido Manuel Rodrigues, com autorização minha, baptizou um indivíduo do sexo masculino a quem deu o nome de António que nasceu nesta freguesia, às nove horas da noite, do dia dez do ditto mês e ano supra, filho legítimo de João José de Sousa, natural da freguesia de S.Bento da Várzea e de Maria Rosa Caravana Montes, natural da freguesia de S.Jorge de Airó, ambos deste concelho, lavradores, recebidos como paroquianos e moradores no lugar da Guarda(?); neto paterno de avô incógnito e de Ana Maria de Sousa e neto materno de Joaquim José Montes e de Ana Luzia de Sousa Caravana. Foram padrinhos António José da Fonseca, viúvo, e Dona Maria Rosa da Fonseca, solteira, proprietários do lugar de Passos desta freguesia de Rio Covo, os quais todos conheço e sei serem os próprios. E para constar lavrei em duplicado este assento que depois de ser lido e conferido por mim perante os padrinhos, comigo só assinará o padrinho e não a madrinha por esta me declarar que não sabia escrever. Era ut supra.

1 comentário:

Manel da Rita disse...

Este comentário serve apenas para testar o sistema!

Ana Canana!