2024-01-21

Os Caetanos!

A ignorância é uma coisa que dói!

Assim como não sabia pelo lado de quem os Rissos eram meus primos, também nunca ninguém me soube explicar o porquê de o António Caetano, visita assídua na casa do meu pai, ser tratado por nosso primo. Saturei-me de viver na ignorância e fui à procura das respostas. A história dos Rissos já aqui vos contei. Hoje, é a vez de saberem quais os laços que nos ligam aos Caetanos.

A história começa nos últimos anos do Século XVIII, em S.Julião do Freixo, freguesia do concelho de Ponte de Lima, onde uma criança do sexo masculino é abandonada à porta de um lavrador que a manda baptizar e se encarrega de a criar até esta se transformar num adulto e tomar conta do seu destino. E o destino do Manoel José, esse foi o nome que recebeu no baptismo, levou-o até Macieira, onde encontrou a mulher da sua vida e se casou.

Chamava-se Ana Maria a mulher que viria a juntar ao seu o destino do Manoel José. Nascida na freguesia de Courel e já sem pai nem mãe que a ajudassem a singrar na vida, encontrou em Macieira um trabalho que lhe garantia o sustento e por lá se deixou ficar até o seu destino se cruzar com o de Manoel José. No dia 14 de Fevereiro de 1820 apresentaram-se na presença do pároco da freguesia, José Joaquim Soares da Costa, que os casou e abençoou.

Nos finais desse ano de 1820, nasceu a primeira filha do casal, Maria Isidora de seu nome. Cerca de 2 anos mais tarde nascia o seu irmão Manoel. Nesse tempo vivia em Macieira um tal Manoel Caetano Ferreira que veio a ser o padrinho destes dois irmãos. No princípio das minhas investigações pensei ser ele o pai deste Manoel, nascido em 1822, mas depressa perdi essa convicção, porque tendo casado em 1796, este Manoel Caetano teve apenas uma filha, nascida no ano de 1800, a que chamou Maria Vitória.

O facto de o Manoel José, vindo de S. Julião do Freixo para Macieira, também se chamar Ferreira pôs a minha imaginação a funcionar e já via pais incógnitos e tios escondidos nesta história da criança abandonada que não tinha pai nem mãe que se conhecesse. E tudo isso pode ser, mas o único facto provado é que mal o Manoel José Ferreira apresentou a sua filha Maria Isidora na Pia Baptismal, foi o Manoel Caetano Ferreira quem lhe deu as bençãos de padrinho. E o mesmo aconteceu quando foi baptizado o Manoel, segundo filho do Manoel José. Uma relação muito forte, ou então um parentesco escondido podem ser a explicação para este duplo apadrinhamento.

O facto é que este rapaz, nascido e baptizado em 1822, ficou a chamar-se Manoel Caetano Ferreira, tal e qual como o seu padrinho. Por esse tempo não era costume as mulheres usarem apelido, eram tratadas, simplesmente, pelo seu nome de baptismo. Se assim não fosse, a irmã do Manoel chamar-se-ia Maria Isidora Ferreira.

Chegados a este ponto, estamos em presença das duas personagens que deram origem, na freguesia de Macieira, a duas famílias distintas que foram evoluindo em sucessivas gerações até aos dias de hoje. No ano de 1842, a Maria Isidora casou com Joaquim Alvares de Sousa, união de onde nasceu a minha bisavó Eusébia. E no ano de 1847, o seu irmão Manoel casou com uma rapariga de Pedra Furada, de seu nome Brígida Joaquina, ficando a viver, tal como a sua irmã, no lugar do Outeiro.

A Maria deu à luz 11 filhos, entre 1843 e 1862, enquanto a sua cunhada Brígida pariu 13 filhos, entre 1848 e 1869, começando logo com um par de gémeos, José Maria e António Maria. De um e outro lado, houve filhos que não atingiram a idade adulta e, coisa curiosa, a Maria queria um Rodrigo e só ao terceiro conseguiu que ele sobrevivesse. Também a sua cunhada queria ter uma filha com o nome de Maria e morreendo-lhe a primeira baptisou uma segunda com o mesmo nome que acabaria por morrer também. Só em 1863, já quase no fim do seu período fértil, teve outra menina a quem voltou a dar esse nome. E como diz o ditado, às três é de vez, essa sobreviveu.

A geração da Maria, no que a mim diz respeito, já foi aqui devidamente explicada (Maria-Eusébia-Maria-Rita). Quanto aos Caetanos, basta-me saber que os 13 filhos do Manoel Caetano eram primos direitos da minha bisavó Eusébia. Se soubesse o nome dos pais do António Caetano que era visita da casa do meu pai, facilmente descobriria as suas origens e o real parentesco que tinha com a minha mãe, mas isso para o caso já pouco interessa.

Sem comentários:

Ana Canana!