2024-01-22

Os Dias da Lagoa Negra!

No ano de 1890, ano em que casou a nossa avó Eusébia (vou usar a forma genérica de avó, seja ela bi, tri, ou tetra) e nasceu a avó Maria, o Tio Luís tinha apenas 28 anos e já era casado, há 6 anos, com uma mulher mais velha que ele uns bons 7 anos. Ela, de seu nome Maria, era filha de Francisco José Dias e bem gostaria de saber qual era o vínculo, se é que havia algum, com o Agostinho Dias que casou com a avó Eusébia e veio a ser pai da minha avó Maria.

Parece uma grande confusão, mas é a coisa mais simples deste mundo. Na Lagoa Negra, lugar mais importante e mais famoso da freguesia de Barqueiros, existia uma antiga família com o apelido Dias. Com apenas 22 anos de idade o nosso tio Luís foi lá desenncantar uma noiva dessa família. E 6 anos mais tarde, foi lá parar a nossa avó Eusébia, já com 38 anos de idade e um filho crescidinho, arranjar também um noivo - já velhote e viúvo - da mesma (?) família Dias.

O desaparecimento dos Livros Paroquiais que cobrem os registos de cerca de 70 anos, entre 1720 e 1790 (mais coisa menos coisa), não me dá hipótese de descobrir a filiação dessas personagens e portanto nunca saberei se a Maria, nascida por volta de 1865, era ou não familiar do Agostinho, nascido por volta do ano de 1826/1827 Poderia ser irmão do Francisco José, pai da Maria que com o «Tio Luís» iniciou o ramo da família «Alves de Sousa», na Lagoa Negra.

Uma coisa eu sei, os irmãos macieirenses Eusébia e Luís, foram herdeiros dos bens da família Dias, ou parte deles, o que haveria de criar um imbróglio, entre os seus descendentes, que dura até hoje. A minha avó Maria que teria direito a uma fatia de leão acabou sem nada e morreu a viver da esmola de sua filha e genro, ajudando a criar uma dúzia de filhos, entre os quais me incluo.

O «Tone da Lagoa Negra» único descendente vivo da nossa avó Eusébia - neto do seu filho Carlos - é hoje o dono da casa da família Alves de Sousa e nota-se que fica, "ligeiramente", incomodado quando se aborda o tema dos Dias e do Tio Luís que, segundo rezam as crónicas continua por ali assombrando a casa e as consciências de quem lá mora. Por mim, o Tio Luís pode ter o seu descanso eterno, se me deve alguma coisa, eu perdoo-lhe essa dívida.

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Ana Canana!