2024-08-19

Lugar da Torre - João Faria!

 Virei do avesso o livro dos baptismos de Chorente, por volta do ano de 1864, data em que a minha bisavó foi entregue ao Sr. João Faria para a acabar de criar e ser a sua criada para todo o serviço, mas não encontrei nada que mencionasse o nome do homem ou nascimentos no lugar da Torre.

Podia recuar alguns anos e tentar encontrar alguma notícia sobre este assunto, mas preferi seguir em frente, indo até ao ano de 1872, ano em que a minha bisavó completou 18 anos de vida, e tudo o que encontrei foi a menção de vários Farias, nenhum deles de Chorente nem pai de criança baptisada.

E desisti, achei que o assunto não merecia mais atenção da minha parte. Mesmo assim trouxe comigo um registo que vou deixar aqui para provar que andei às voltas com os referidos livros e onde aparece mencionado o nome de João Faria.

João Faria, primo da criança baptisada
e natural de Remelhe

2024-08-12

A bisavó paterna!

 


Passei em revista este blog e não encontrei nada que se referisse a esta minha parente directa, o que é uma falha imperdoável. Fui a correr buscar esta imagem que tinha guardada no meu velho computador, antes que ele avarie (já está meio avariado) e eu perca tudo que lá tenho guardado.

Augusta Maria, avó do meu pai que nasceu em Braga, foi criada em Chorente e (suponho eu) veio a falecer em Gueral, onde nasceu a minha avó e sua única filha.

João Faria, lavrador, morador no lugar da Torre, foi quem trouxe de Braga a minha bisavó para ele usar como criada de servir. Uma espécie de escravatura mais moderna, uma vez que a antiga tinha sido proibida por um dos nossos últimos reis. Que razões estariam por trás deste seu acto? Ele poderia até ser o pai ou avô da bebé entregue na Roda de Braga, em 1854, e ter-se limitado a ir recuperá-la para a acabar de criar e olhar por ela, como só um familiar pode e sabe fazer.

Visto por um ângulo mais negro, ele poderia também ser um homem que não tinha família e precisava de alguém que cuidasse das coisas para ele, indo à Roda candidatar-se a ficar com uma criança que chegada aos 10 anos teria que levar outro destino para dar lugar a outras que estavam sempre a chegar. Nesses tempos, o nascimento de "filhos naturais" era uma praga indescritível. Fazer de uma criança de dez anos a sua governanta era uma ideia de se lhe tirar o chapéu, mas a mim não me assusta.

Sabe Deus, e só Ele, as manigâncias que as pessoas faziam para levar a vida, nesse tempo em que a agricultura era o único, e muito pobre, meio de a gente não morrer à fome. As criadas de servir e as jornaleiras entregavam-se ao patrão para ter um emprego garantido e assim continuavam a fazer aumentar o número de filhos naturais, como foi a minha bisavó Augusta e também a sua filha Ana que lhe seguiu o destino. Hei-de tentar reconstituir a vida deste lavrador que criou a minha bisavó, saber se era casado ou solteiro, se teve filhos e quantos, tudo isso que faz a história de um homem!

Ana Canana!