Passei em revista este blog e não encontrei nada que se referisse a esta minha parente directa, o que é uma falha imperdoável. Fui a correr buscar esta imagem que tinha guardada no meu velho computador, antes que ele avarie (já está meio avariado) e eu perca tudo que lá tenho guardado.
Augusta Maria, avó do meu pai que nasceu em Braga, foi criada em Chorente e (suponho eu) veio a falecer em Gueral, onde nasceu a minha avó e sua única filha.
João Faria, lavrador, morador no lugar da Torre, foi quem trouxe de Braga a minha bisavó para ele usar como criada de servir. Uma espécie de escravatura mais moderna, uma vez que a antiga tinha sido proibida por um dos nossos últimos reis. Que razões estariam por trás deste seu acto? Ele poderia até ser o pai ou avô da bebé entregue na Roda de Braga, em 1854, e ter-se limitado a ir recuperá-la para a acabar de criar e olhar por ela, como só um familiar pode e sabe fazer.Visto por um ângulo mais negro, ele poderia também ser um homem que não tinha família e precisava de alguém que cuidasse das coisas para ele, indo à Roda candidatar-se a ficar com uma criança que chegada aos 10 anos teria que levar outro destino para dar lugar a outras que estavam sempre a chegar. Nesses tempos, o nascimento de "filhos naturais" era uma praga indescritível. Fazer de uma criança de dez anos a sua governanta era uma ideia de se lhe tirar o chapéu, mas a mim não me assusta.
Sabe Deus, e só Ele, as manigâncias que as pessoas faziam para levar a vida, nesse tempo em que a agricultura era o único, e muito pobre, meio de a gente não morrer à fome. As criadas de servir e as jornaleiras entregavam-se ao patrão para ter um emprego garantido e assim continuavam a fazer aumentar o número de filhos naturais, como foi a minha bisavó Augusta e também a sua filha Ana que lhe seguiu o destino. Hei-de tentar reconstituir a vida deste lavrador que criou a minha bisavó, saber se era casado ou solteiro, se teve filhos e quantos, tudo isso que faz a história de um homem!