Visto por um ângulo mais negro, ele poderia também ser um homem que não tinha família e precisava de alguém que cuidasse das coisas para ele, indo à Roda candidatar-se a ficar com uma criança que chegada aos 10 anos teria que levar outro destino para dar lugar a outras que estavam sempre a chegar. Nesses tempos, o nascimento de "filhos naturais" era uma praga indescritível. Fazer de uma criança de dez anos a sua governanta era uma ideia de se lhe tirar o chapéu, mas a mim não me assusta.
Sabe Deus, e só Ele, as manigâncias que as pessoas faziam para levar a vida, nesse tempo em que a agricultura era o único, e muito pobre, meio de a gente não morrer à fome. As criadas de servir e as jornaleiras entregavam-se ao patrão para ter um emprego garantido e assim continuavam a fazer aumentar o número de filhos naturais, como foi a minha bisavó Augusta e também a sua filha Ana que lhe seguiu o destino. Hei-de tentar reconstituir a vida deste lavrador que criou a minha bisavó, saber se era casado ou solteiro, se teve filhos e quantos, tudo isso que faz a história de um homem!


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