2025-02-28

Romaria pelos cemitérios!

 Ontem, fui almoçar a Barcelos. Há lá um restaurante que gosto de frequentar, serve um rodízio brasileiro e a diária custa apenas 12.50€. Não é que seja barato, mas em comparação com o que se come e bebe é até "muito barato".

No regresso, vim pelas aldeias do concelho em direcção a sul. Passei primeiro pelas Carvalhas, em cujo cemitério está sepultada, desde 1954, a minha avó paterna de seu nome Ana Maria Oliveira. E depois por Macieira, onde dorme o sono eterno a minha bisavó materna que era conhecida por Eusébia, desde o longínquo ano de 1938.

Dispensar um pensamento a estes antepassados é como rezar uma oração pela remissão dos seus pecados. A esta hora já devem ter todos os pecados perdoados e estar com o Criador no paraíso, mas as orações servem sempre para aliviar outras almas que estejam ainda a pagar pelos erros e falhas do seu passado.

Gostaria de ter ido ver o andamento das obras na saída nascente da cidade, mas o tempo estava de cara feia e não deu para isso. Logo que o tempo melhore e os dias forem mais amenos, irei almoçar a S. Bento da Várzea e depois rumo a Barcelos passando por essa zona, onde as obras estão a mexer com o trânsito.

2025-02-10

 


Ver o mundo através do Google Earth é o que me resta, quando as pernas já não dão conta do recado e me deixam aqui sozinho isolado do mundo e do que por lá se passa. Ao ver o mapa acima recordei uma história que o meu pai contava com frequência. Ele odiava defuntos e deve ter sido por essa razão que a coisa lhe ficou gravada na memória e passados muitos anos, pelo menos aí uns 60, me contou o acontecido.


Nesse tempo, década de 20 ou 30 do século passado, não havia ruas pavimentadas, como agora existem e se vêem na imagem. A viagem fez-se por caminhos e carreiros, descendo do ponto mais alto de Chavão para o mais baixo de Chorente. O morto andava aos trambolhões, dentro do esquife, e batia com a cabeça na madeira sempre que um dos carregadores escorregava e fazia balançar a carga. O caminho é mau que eu bem sei, por isso há tão poucas ligações entre as duas freguesias, sendo o conhecido Monte de Chavão o obstáculo natural que a isso leva.


À altura morava ele em Chorente, no lugar da Idanha, e tendo falecido em Chavão uma pessoa de Chorente havia que trazê-la até ali para realizar o funeral. Ainda não havia, como há hoje, carros funerários para fazer o serviço e, por conseguinte teria que usar-se outro transporte para o féretro. O meu pai e um grupo de familiares e vizinhos do falecido prontificaram-se a trazer o caixão às costas até à igreja de Chorente, onde o pároco encomendaria a alma do dito, antes de o levarem a enterrar no cemitério.



Passei a minha infância neste recanto do mundo, Courel, Macieira, Negreiros Chorente e Gueral formavam um círculo à volta do lugar onde nasci, lugar do Outeiro, e não havia caminho nem carreiro que eu não conhecesse ou calcorreasse nas idas e vindas de um lado para o outro.

Chavão ficava fora desse âmbito, da estrada que liga Negreiros a Chorente e depois segue em direcção às Carvalhas, nunca passei para o lado nascente, talvez por causa da ausência de moradores no já referido Monte de Chavão. Um dos meus caminhos, frequentemente usado para de Macieira chegar ao lugar da Torre, passava pela Gandarinha, depois pela azenha do Tio Avelino Mariano, daí até à Baralha, seguindo depois por uns carreiros até atingir a estrada de Negreiros.

Hoje, parece estranho falar nisto, pois ninguém dá um passo que não seja de automóvel ou outro meio mecanizado, até as bicicletas já foram postas de parte, pois era preciso pedalar a sério para elas se moverem nquela espécie de terreno. Lugar de Vinhós e depois Torre era onde eu ia entregar a obra de costura que as senhoras daquela zona encomendavam à minha mãe que as vestia a todas.

Outros tempos, outras gentes cujos ossos já repousam nos cemitérios, depois de uma vida de canseiras neste mundo de Deus!

2025-02-04

A tia Amélia do Jerónimo!

 


É mentira que ela fosse do Jerónimo, quem era do Jerónimo (bisneto, salvo erro) era o seu marido António Alves de Sousa que depois de nascer o Armando se mandou para o Brasil e nunca mais se ouviu falar dele. Já ouvi dizer que ele arranjou por lá mulher e teve mais uma catrefada de filhos "brazucas", mas isso está por provar. Para normalizar as coisas, teve o tal Armando que recorrer ao tribunal para transformar o desaparecido em falecido que já tinha ultrapassado os cem anos de idade.

A minha família morava na parte mais a norte do lugar do Outeiro e os vizinhos eram poucos, por isso havia uma grande ligação entre todos. Do lado sul a família do Velho e a do Couto, cujos quintais confrontavam com o campo (de baixo) do Loureiro, onde se inseria a casa onde eu nasci. Do lado norte era quase tudo família, primeiro a tia Rosa e depois a sua cunhada Amélia ambas do Jerónimo e, por conseguinte minhas parentes. A última casa ora estava vazia ora ocupada, a mais antiga família que lá conheci tinha consigo dois refugiados - austríacos, salvo erro - que se chamavam Monique e Gilbert, mais tarde ocupada pela família "Da Antónia" vinda de Gueral.

Muitas aventuras poderia contar destes filhos da Antónia - nome que deviam ter herdado de alguma avó, pois a sua mãe não tinha este nome - que eram 3 rapazes e 1 rapariga, a Maria que eu viria a encontrar, anos depois, como criada da família do Couto. Falei com ela no verão de 1960, antes de a minha família se mudar para o Anjo, e depois, como muitas outras pessoas e coisas, esfumou-se da minha vida. Não sei se ela é ainda viva ou se já faleceu. Mas, por acaso, gostaria de saber!

Mas, voltando à tia Amélia que pertencia à família dos meus antepassados, ela morava numa casinha, hoje em ruínas, que foi construida num recanto da bouça do Loureiro que existia encostada à Quinta do Arteiro. Quinta que no passado não pertencia à família do Loureiro, de Gueral, mas que foi depois comprada e anexada aos terrenos que já lhe pertenciam. Quando se casou, a tia Amélia ficou a morar na casa onde eu também nasci, depois, por razões que desconheço, o Loureiro ofereceu-lhe aquele recanto da bouça que tinha pouco interesse para a agricultura, mas uma posição ideal para construir uma pequena casinha.

E assim ficou vazia a «Casa da Rita» (como é hoje conhecida), o que deu ao meu pai a oportunidade de a arrendar, quando se casou. Aquilo está uma ruína com o telhado a cair, disse-lhe o Loureiro. Não lhe dê isso preocupação, respondeu o meu pai, eu arranjo aquilo ao jeito de lá poder instalar a minha mulher e a sogra, pois melhor lugar não encontrei. E assim aconteceu, durante 21 anos moraram ali os meus pais, a minha avó Maria e mais os 11 filhos que a minha mãe, nesse período, deu à luz.

Ali passei eu os primeiros 11 anos da minha vida, a saltitar da casa da tia Rosa para a da tia Amélia e dessa de volta para a nossa (?) casa, o resto passei-os a andarilhar por esse mundo de Deus, primeiro em Coimbra e na Póvoa, como estudante e depois em Lisboa e Moçambique, já na vida militar. De vez em quando, volto a Macieira para recordar estas e outras memórias que aquele recanto do planeta Terra deixou gravadas no meu cérebro!

2025-02-03

2025-02-02

O Notário!

 


Hoje, navegando na internet, descobri que há, ou houve, um Dr. Geremias de Sousa que era notário. Pensei que poderia ser o filho da parteira Alzira de Sousa e, por conseguinte, meu parente, mas não encontrei nada que suportasse esta teoria. Por mais pesquisas que tentasse ia sempre parar ao Brasil, país que tem mais de 200 milhões de habitantes e açambarcam a internet toda para eles não deixando nada para nós.

Nós somos antigos, vivemos no velho mundo e eles, os brasileiros, vivem num mundo novo fundado por portugueses, no século XVI. Em questões de novas tecnologias somos nós também que vivemos no mundo velho, o Brasil acordou para essas coisas e deu formação aos seus cidadãos muito antes de nós. Aliás, quem tiver mais de 50 anos, em Portugal, é um analfabeto em questões de WWW, isto é, World Wide Web, a teia que une todos os habitantes do Globo Terrestre.

Assim perdi o meu tempo a folhear dezenas de páginas e só encontrei Geremias no Brasil, sendo o notário da Póvoa o único Geremias português. Agora se ele era ou não meu parente, não consegui descobrir. Sousa era a sua mãe e sendo Amorim o seu pai, talvez eu devesse ter pesquisado Geremias Amorim, mas já saturado de pesquisas decidi adiar o assunto para uma ocasião mais propícia.

P.S. - Rio Covo era a freguesia onde nasceu o Geremias (pai deste notário e meu tio-avô), há mais de 100 anos!

Ana Canana!