Viajando através dos registos paroquiais do Século XVIII e XIX são tantos os casos de filhos naturais, que é o mesmo que dizer, filhos de mães solteiras, que até dá vertigens. E se se consultar o registo de baptismos da «Villa de Barcellos», metade refere-se a crinças deixadas na Roda. Um verdadeiro pandemónio para quem procura determinar as suas raízes.
Descobrir quem foram os antepassados do avô Francisco José nunca me interessou muito, por saber que, embora tenhamos herdado o seu nome, não herdamos os seus genes. Por mero acaso, ou talvez não, descobri que a nossa relação de parentesco com os "Rissos" de Gueral se deve, exactamente ao avô Francisco ou, melhor dizendo, à sua mãe Maria das Dores. Mas comecemos pelo princípio.
No início do Século XIX, na freguesia de Gueral, do concelho de Barcelos, nasceu uma menina que recebeu o nome de Maria da Anunciação. Por falta de alguns documentos, além do interesse reduzido que o assunto me desperta, não consegui estabelecer o historial completo dessa personagem, mas para o que interessa à nossa história, descobri que também ela entrou para o rol das mães-solteiras ao dar à luz uma menina, a quem baptizou com o nome de Maria das Dores.
E como a coisa parece uma doença hereditária, também a Maria das Dores viria a dar à luz um rapazinho, sem marido que se lhe conhecesse. Francisco foi o nome escolhido para o baptizar. O segundo nome, José, talvez tenha sido escolhido pela mãe em honra do incógnito pai que não quis aparecer em público. E o apelido, Silva, só Deus saberá de onde veio.
As voltas que o mundo dá e que eu, hoje, sou incapaz de adivinhar fez com que a Maria das Dores descobrisse um homem que quis casar com ela e a ajudasse a criar o seu rebento. E desse casamento tenha nascido uma menina que, na Pia do Baptismo, recebeu o nome de Rita.
Pois foram estes dois meios-irmãos que, ao casar-se, ele com a minha avó Ana, ela com o avô, Carlos, dos Rissos de Gueral que nasceu na freguesia de Fragoso, criaram os laços de parentesco que tanta estranheza me causavam por não compreender de onde vinham. A descência da avó Ana já a conhecemos, a do Carlos que casou com a Rita da Silva (até onde eu consegui descobrir) consta de três rapazes, Armindo, José e António e duas raparigas, Maria e Ana.
O mais novo de todos eles foi o António que viveu a sua vida em Macieira e tem lá filhos a morar ainda, assim como netos e bisnetos espalhados por esse mundo fora. A Maria Rissa, salvo erro, nunca se casou nem teve filhos. Nasceu em 1902, faleceu em 1981 e era a prima preferida do meu pai. Na próxima vez que passar no cemitério de Gueral, hei-de tentar descobrir se tem uma campa identificada.


Sem comentários:
Enviar um comentário