2024-01-22

Rissos e Cananos!

Os Rissos

Viajando através dos registos paroquiais do Século XVIII e XIX, são tantos os casos de filhos naturais, que é o mesmo que dizer, filhos de mães solteiras, que até dá vertigens. E se se consultar o registo de baptismos da «Villa de Barcellos», metade refere-se a crinças deixadas na Roda. Um verdadeiro pandemónio para quem procura determinar as suas raízes.

Descobrir quem foram os antepassados do avô Francisco José nunca me interessou muito, por saber que, embora tenhamos herdado o seu nome, não herdamos os seus genes. Por mero acaso, ou talvez não, descobri que a nossa relação de parentesco com os "Rissos" de Gueral se deve, exactamente ao avô Francisco ou, melhor dizendo, à sua mãe Maria das Dores. Mas comecemos pelo princípio.

No início do Século XIX, na freguesia de Santa Maria de Goios, do concelho de Barcelos, nasceu uma menina que recebeu o nome de Maria da Anunciação. Por falta de alguns documentos, além do interesse reduzido que o assunto me desperta, não consegui estabelecer o historial completo dessa personagem, mas para o que interessa à nossa história, descobri que também ela entrou para o rol das mães-solteiras ao dar à luz uma menina, a quem baptizou com o nome de Maria das Dores.

E como a coisa parece uma doença hereditária, também a Maria das Dores, à data residente na freguesia de Gueral, viria a dar à luz um rapazinho, sem marido que se lhe conhecesse. Francisco foi o nome escolhido para o baptizar. O segundo nome, José, talvez tenha sido escolhido pela mãe em honra do incógnito pai que não quis aparecer em público. E o apelido, Silva, só Deus saberá de onde veio.

As voltas que o mundo dá e que eu, hoje, sou incapaz de adivinhar, fez com que a Maria das Dores tivesse encontrado um homem, um carpinteiro da freguesia de Gueral, que quis casar com ela e a ajudou a criar o seu rebento. E que desse casamento, mais tarde, tenha nascido uma menina que, na Pia do Baptismo, recebeu o nome de Rita.

Pois foram estes dois meios-irmãos que, ao casar-se, ele com a minha avó Ana, ela com o Carlos Rodrigues (avô dos Rissos de Gueral e natural da freguesia de Fragoso), criaram os laços de parentesco que tanta estranheza me causavam por não compreender de onde vinham.

A descência da avó Ana já a conhecemos (como largamente explanada no grupo dos «Primos Cananos»), a do Carlos que casou com a Rita da Silva (até onde eu consegui descobrir) consta de três rapazes, Armindo, José e António e duas raparigas, Maria e Ana.

O mais novo de todos eles foi o António que viveu a sua vida em Macieira e tem lá filhos a morar ainda, assim como netos e bisnetos espalhados por esse mundo fora. A Maria Rissa, salvo erro, nunca se casou nem teve filhos. Nasceu em 1902, faleceu em 1981 e era a prima preferida do meu pai. Na próxima vez que passar no cemitério de Gueral, hei-de tentar descobrir se ela tem uma campa identificada. A Junta de Freguesia saberá informar-me disso, com certeza.

Depois de ler e reler o que atrás escrevi, uma coisa houve que começou a fazer-me desconfiar que houve malandrice na atribuição do nome José e do apelido Silva ao meu avô Francisco. Registado como filho de pai incógnito, eu ainda entenderia que a mãe tivesse querido dar-lhe um segundo nome e a sua escolha recaísse em José, mas o Silva é que não tinha lógica nenhuma.

De repente, ao ler pela segunda ou terceira vez o registo de nascimento da sua meia-irmã Rita, acendeu-se uma luzinha no meu cérebro e percebi tudo. Com um nome como aquele, António José da Silva, só podia ser ele o incógnito pai que, no ano de 1863, fugiu à sua responsabilidade e três anos mais tarde decidiu reparar o seu erro e casar com a desonrada mãe do Francisco que era seu filho. E assim a Rita que nasceu no ano seguinte, já dentro da casamento é, afinal, irmã de pai e mãe do meu avô.

Só que devem ter-se esquecido de legalizar o acto de perfilhação, ou então fizeram-no mas eu não encontrei o documento que o comprove. Ou, em última análise, sou eu que estou a sonhar com bruxas e nada disto corresponde àquilo que se passou naquele longínquo ano de 1867, na freguesia de Gueral.

Os Cananos

Segundo testemunhos recolhidos junto dos «Primos Cananos» mais velhos, a alcunha de CANANO vinha do avõ Francisco José e não da avó Ana Maria, como eu pensava.

Sabendo que o avô foi registado como filho de pai incógnito, mas que eu estou cnvencido ser filho do carpinteiro de Gueral, António José da Silva, tal como expliquei em Rissos – Parte II, falta-me apenas saber se era o carpinteiro que usava a alcunha de Canano, ou pelo contrário foi a mãe, Maria das Dores, que o trouxe de Goios.

Com muita pena minha, vou ter que deixar este assunto morrer, pois não há ninguém vivo que me possa ajudar a esclarecer este mistério. Os Rissos de Macieira não sabem de nada, como me confirmou o José e a Prazeres, nem sequer a origem da sua alcunha, Rissos. Cheguei a um beco sem saída!

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Ana Canana!