O que pensariam vocês se dessem de caras com o nome «Caravana Montes», ao vasculharem os registos históricos dos vossos antepassados? Uma caravana de ciganos viajando de terra em terra por montes e vales debaixo do sol e da chuva que Deus nos deu a todos por igual, foi a imagem que me atravessou o pensamento quando descobri que era este o nome de uma das minhas bisavós do lado materno.
Como todas as coisas deste mundo, também os nomes têm que ter um princípio. Quem teria sido a primeira pessoa a usar o apelido de Caravana, e porquê? Mergulhando a fundo nos registos paroquiais, baptizados, casamentos e óbitos, que é a única fonte de informação que existe sobre a gente comum, talvez consiga responder à primeira parte da pergunta. Já a questão do porquê, acredito que ficará para sempre escondida na penumbra dos tempos.
Com esse propósito atirei-me com vontade aos livros da «Villa de Barcellos», assim chamada no tempo em que os pais da minha bisavó aí viviam, para minha grande surpresa que sempre tive Barcelos como cidade, desde os tempos de D. Afonso Henriques. No tempo em que os mouros ainda ocupavam Lisboa e Santarém, Barcelos era a quarta cidade do Condado Portucalense, depois do Porto, a capital económica, Braga, a capital religiosa e Guimarães, a residência oficial da monarquia reinante.
Quem escrevinhava os registos, nesse tempo, não era muito cuidadoso nem seguia uma norma fixa que agora nos ajudaria a decifrar mais facilmente aquilo que a sua falta de jeito, a qualidade do papel ou da tinta teima em esconder nesses documentos. A minha esperança nos registos de baptismo era quase nula, devido à profusão de registos de filhos sem pai nem mãe expostos na «Roda de Barcelos». Há páginas e páginas onde só aparecem registos desses, nem um único filho legítimo se avista no meio de tantos “expostos”. Um dia destes ainda vou ganhar coragem para fazer uma estatística de bebés baptizados durante um ano inteiro para ver qual a percentagem de filhos legítimos conseguida.
Optei, por isso, pelos registos dos casamentos. Com um pouco de sorte, além dos pais dos noivos, talvez tivesse também os nomes dos avós e assim já seriam dois degraus na escada que eu pretendia subir. Tive mais sorte do que eu próprio esperava. Ao fim de pouco mais de uma hora a virar páginas, coisa que na “net” é um tanto ou quanto lento, descobri-o.
E cá está! Como podem ver António Joze era o filho e Manoel Joze era o pai e para ambos o mesmo apelido, Caravana. Depois verei se ganho coragem para recuar mais no tempo e descobrir o registo de casamento do Manoel Joze, para chegar ao seu pai e avô.
Como curiosidade, noto os dois nomes dos locais onde moravam os noivos, Campo dos Touros para ele e Campo de S.Joze para ela. Onde ficariam esses lugares, olhando para a cidade de hoje?

Sem comentários:
Enviar um comentário