Estou a trabalhar nos óbitos de Macieira para ver se consigo estabelecer as datas de nascimento e morte de todos os meus familiares mais antigos.
Comecei pelo fim, para ter acesso aos dados mais recentes e já cheguei ao ano de 1798. Posso garantir-vos que é tão difícil como foi para os navegadores portugueses chegarem à Índia. Além da má caligrafia e pior microfilmagem dos documentos, há ainda as redações defeituosas e incompletas de muitos registos. Era o tempo da pena e do tinteiro e nem todos eram habilidosos no seu manejo. Tinta a mais, nuns casos, e a menos nos outros, tinta aguada que, agora, mal se consegue ler e muitas outras falhas que só com muita paciência e poder de análise dão hipótese de se ler o documento.
Uma das falhas mais graves que eu critico no sistema dos registos paroquiais e não registarem o movimento das pessoas que tendo nascido em Macieira emigraram, por razões diversas, indo viver em outro lado qualquer, tão próximo como Gueral ou Courel, ou tão longínquo como o Brasil, para onde foram muitos macieirensses e por lá morreram. Especialmente, nos casamentos deviam ter sido registados, mesmo quando ocorriam fora da paróquia, registando a nova morada em que ficou a viver o filho da nossa terra.
Seria tão fácil escrever: A Maria, filha deste e daquela casou em Negreiros ficando lá a viver. Passou a ter outro pároco que a seguiu pelo resto da vida e, provavelmente, acabou por registar o seu óbito, quando chegou a sua hora. Já o caso dos solteiros que mudavam de freguesia para procurar melhores condições de trabalho era um caso mais difícil de seguir. Alguns nunca mais regressaram a Macieira, por lá casaram ou morreram e não há como seguir-lhes o rasto.
O avô Jerónimo nasceu em 1743 e o assunto que mais me prende é descobrir o que aconteceu aos seus filhos, netos e bisnetos até chegar à minha avó Maria, nascida em 1890 e falecida em 1970. Logo que tenha "bisbilhotado" os registos dos óbitos até chegar à data do seu nascimento, estarei em posição de fazer uma análise capaz de me dar algumas respostas. Não todas, porque há alguns registos, totalmente, ilegíveis e quanto a isso nada poderei fazer.
A título de exemplo, podem ver acima o registo de óbito da mulher do avô Jerónimo Ferreira que faleceu no dia de S. Pedro do ano da graça de 1805. Este registo nem é dos piores para interpretar!

Sem comentários:
Enviar um comentário