Já mudámos de mês e isso faz-me lembrar que tenho que dar corda aos sapatos e escrever alguma coisa sobre a minha família do passado para os do futuro lerem e ficarem a saber mais alguma coisa sobre quem veio ao mundo, antes deles, e abriu a possibilidade de eles cá aparecerem também.
Se não fosse o meu "pentavô" Jerónimo e o seu filho José, nunca o meu trisavô Joaquim teria nascido e muito menos a sua filha Eusébia de quem nasceu a minha avó Maria e dela a minha mãe Rita que me pôs no mundo, enquanto decorria ainda a II Grande Guerra, no ano da graça de 1944.
Assim que a modo de uma escadinha com 7 degraus que desce do avô Jerónimo até mim, vem de Negreiros, para em Gueral e passa para Macieira que foi berço da minha família ancestral. Na família contemporânea, houve apenas uma excepção, o rebento mais novo já nasceu em Touguinha-Vila do Conde para onde a família migrou, à procura de melhores condições de trabalho, em 1960. E sem esquecer também a avó Maria que por um capricho do destino foi nascer em Barqueiros, no lugar da Lagoa Negra, mas que regressou a Macieira a tempo de enterrar ali a sua mãe.
Quero deixar bem claro este ponto que se refere ao Sr. Jerónimo Ferreira que, em Macieira, deu origem a uma enorme família que se espalhou pelo Minho e Douro Litoral. Hoje são mais os Sousas que os Ferreiras por culpa da avó Hilena de Sousa que veio de Balazar impor o seu nome aos Ferreiras. Mas, voltando ao avô Jerónimo ele era filho de Manuel Ferreira que nasceu de Miguel Ferreira que de Negreiros foi casar a Gueral com uma senhora da família Gonçalves, do lugar da Ribeira.
Ao falar no lugar da Ribeira, de Gueral, vem-me à memória os clientes da minha mãe costureira que me fizeram ir ali, muitas e muitas vezes, entregar as suas roupas acabadas de fazer e passar a ferro. Nessa altura, eu não conhecia os pormenores da nossa história familiar, mas hoje pergunto-uem me me se a minha mãe saberia que eram familiares seus para quem ela costurava. A minha irmã Fátima, a Alice e eu que para lá corremos, anos a fio, é que não fazíamos a mínima ideia, ninguém nos fez chegar a notícia, como eu o estou a fazer, agora, convosco.
Outro episódio da história recente que quero aqui recordar é a minha ida a Barcelos, em 1955, para fazer o exame da 4ª Classe. Quem me levou lá foi o Manel do Velho, assim conhecido, em Macieira, que era o dono do único carro de aluguer que lá existia. Também era da família Ferreira, embora já usasse o apelido de Sousa que a avó Hilena trouxera de Balazar. Ele devia saber que era da minha família, pois era voz corrente que éramos todos «Do Jerónimo», mas eu é que não sabia de nada desses pormenores.
Lembro-me de a minha avó Maria dizer que era filha da «Casa do Salvador», mas isso nunca fez muito sentido na minha cabeça. Hoje que conheço a história, sei que aquela casa que o Tio Salvador do Velho reconstruiu e tornou mais moderna, foi o berço da «Família Araújo» que depois se misturou com a dos Ferreiras, vindos de Gueral, e deu origem ao avô Jerónimo e por aí fora, como acima descrito.
Hoje, sinto-me um homem feliz por saber de onde vim e conhecer a história de cada uma das personalidades que povoam o meu presente e povoaram o passado da nossa grande família. Ontem, primeiro domingo de Setembro, ocupei o meu tempo a pesquisar a história dos filhos e netos do nosso avô Joaquim. Dois deles, ambos de nome Rodrigo, faleceram nos primeiros anos de vida, facto que é comprovado por terem dado o mesmo nome a outro filho nascido alguns anos mais tarde. Os meus avós queriam um filho com o nome de Rodrigo e não desistiram de o ir dando a cada filho varão que vinha ao mundo, até um desse nome sobreviver.
A minha bisavó Eusébia e o seu irmão Luiz, o mais novo de todos, casaram e foram viver para a Lagoa Negra e deram ao mundo 6 herdeiros, ela 2 e ele 4. Dos outros filhos descobri o rasto da Maria que casou com Joaquim José dos Santos, de quem teve dois filhos e uma filha, e moravam no lugar de Retorta, assim como o do José que foi casar a Rio Covo, Santa Eugénia, trazendo para Macieira a Tia Rosa Velha de quem nasceram 9 filhos, um deles o David que foi pai do Manel do Velho, atrás referido.
Dos 5 filhos restantes, Manuel, António, Josefa, Rodrigo e Ana não encontrei rasto, mas prometo continuar as minhas pesquisas, pois depois da minha mãe e da avó Maria, são as pessoas mais chegadas da minha família ancestral.

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