A avó Maria e a Tia Rosa do Mico, a nossa vizinha mais próxima, diziam-se primas. Só agora, depois e esbulhar os Registos Paroquiais, é que eu descobri de onde vinha essa relação. Afinal, elas eram de gerações diferentes, portanto primas em segundo grau, porque a prima direita da Tia Rosa era a bisavó Eusébia. A Tia Rosa, o seu irmão David e a Tia Diamantina de Rates eram filhos de um irmão da avó Eusébia que se tinha casado com a Tia Rosa velha que emigrou de Rio Covo - Santa Eugénia para Macieira.
A Tia Amélia - dita do Jerónimo - era cunhada da Rosa e do David, porque o seu marido também era da família do Jerónimo e irmão do pai daqueles dois. Não tenho a certeza, mas será fácil de verificar, o marido da Amélia era o António e o pai da Tia Rosa era o José, ambos irmãos da nossa bisa Eusébia. É muito complicado? Deixem para lá, somos todos primos, em maior ou menor grau, e o resto pouco interessa.
A parte da história que me fez arregalar os olhos de espanto, foi descobrir que a nossa avó Maria foi arranjar um namorado a Rio Covo - Santa Eulália, enquanto a Tia Rosa era oriunda da vizinha aldeia de Rio Covo - Santa Eugénia e acabaram a morar, uma em frente da outra, no Lugar do Outeiro. Como se costuma dizer, este mundo é muito pequeno!
E eu, o primo mais afastado de toda esta gente, era, amiúde, requisitado pela Tia Rosa para lhe ir tomar conta das ovelhas, no campo da fonte, ou nos codessos (hei-de ir ao dicionário pesquisar o significado desta palavra) que subiam até ao muro da Quinta do Arteiro (outra personagem de quem não consegui ainda encontrar o rasto).
A minha vingança por ser forçado a essa tarefa que detestava, foi ensinar o carneirinho, nascido há pouco, a marrar como um bode velho. Ainda os cornos não lhe tinham despontado na cabeça e já ele ia com um bom número de lições recebidas deste que vos relata a história. Turra, mico, dizia-lhe eu, pondo a minha mão direita espalmada em frente do seu focinho. E ele, lentamente, começou a aprender que aquilo era para ele marrar e começou a fazê-lo cada vez com mais vontade.
Entretanto, fiz o exame da 4ª Classe, gozei as férias de verão, desse ano de 1955, e depois emigrei para Cernache, onde fui estudar no colégio dos Jesuítas, recém-inaugurado. A Tia Rosa ficou esquecida, lá para trás no tempo, mas uma carta, recebida dos meus pais, veio contar-me que o Mico, assim ficou conhecido para sempre, tinha crescido, ganhado corpo, e um dia, apanhando a Tia Rosa de costas, afinfou-lhe uma marrada que a atirou pelo ar. Coitada da velhota, olha o que eu lhe havia de ter arranjado!

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