2024-11-12

A avó Ana Maria!


Aos dezoito dias do mês de Outubro de mil oitocentos e setenta e cinco, nesta parochial egreja de S. Miguel de Chorente, concelho de Barcelos e Diocese de Braga, baptizei solenemente um indivíduo do sexo feminino a quem dei o nome de Anna Maria e que nasceu nesta freguesia pelas dez horas da noite do dia quinze do dito mês e ano, filha natural e primeira deste nome de Augusta Maria exposta da Roda de Braga, criada que foi do serviço de lavoura em casa de João de Faria do lugar da Torre, desta freguesia e hoje moradora nesse mesmo lugar desta freguesia. Foi padrinho Miguel José Ferreira, solteiro, sapateiro, do lugar da Castanheira, e madrinha Anna Maria, viúva, lavradeira do lugar de Amins, ambos desta freguesia. E para constar lavrei, em duplicado, este assento que depois de lido e conferido perante os padrinhos o assino com a madrinha por o padrinho não saber escrever. Era ut supra.

 Assinatura da madrinha - Ilegível
O Encomendado – António Ferreira da Silva

Muito menos famosa que a nossa avó Maria, a quem todos chamávamos "Madrinha", imitando a nossa irmã mais velha, essa sim a verdadeira afilhada da nossa avó Maria, e menos ainda participativa na nossa educação, a avó Ana Maria viveu a sua vida entre Chorente, onde nasceu, em Gueral, onde cresceu e nas Carvalhas, onde morreu e foi sepultada.

Lembro-me de ela ter vivido connosco, em Macieira, por um curto período e sei que foi acabar nas Carvalhas para tomar conta das suas duas netas, nascidas no início da década de 50 do século passado, uma vez que a mãe delas era obrigada a passar o tempo fora de casa fazendo pela vida. A comida não aparecia em cima da mesa por milagre, era preciso labutar no duro para a poder adquirir.

Como se vê no averbamento à margem, no seu assento de baptismo, ela faleceu em 26 de Fevereiro de 1954, andava eu ainda a estudar para passar da 3ª para a 4ª Classe. Estava muito convencido que ela falecera quando eu estava no Colégio, em Coimbra, mas, como se pode ver, estava bem enganado!

Quando passarem pela igreja e cemitério das Carvalhas, parem por um breve momento e peçam a Deus e aos santos que a levem para o céu, se ela não estiver lá ainda!

1 comentário:

Manel da Rita disse...

Em Gueral, cresceu, casou e pariu 3 filhos, sendo o meu pai o único rapaz e filho do meio!

Ana Canana!