Em Junho de 1895 morre a Maria de 3 anos de idade e no seu registo de óbito pode ler-se com toda a clareza, filha de Carlos Rodrigues e Rita da Silva. Com a indicação que tinha 3 anos quando morreu, teria que ter nascido em 1892 e antes do mês de Junho. Virei todos os livros da paróquia de Gueral e não encontrei nada, essa Maria não foi baptisada em Gueral.
Corri os arquivos todos de Fragoso a Barcelos e até de Paranhos, no Porto e continuei sem nada encontrar. Voltei para os registos de baptismo e óbito, pensando que me podia ter enganado, alguma coisa parecia não bater certo. Voltei ao princípio da história, lendo pela milésima vez o assento de casamento da Rita da Silva, de modo a estabelecer uma cronologia que me guiasse pelo caminho certo. E de repente, os meus olhos fixaram-se na data do casamento da Rita da Silva, 10 de Agosto de 1893.
Ora então se a Maria morreu em Junho de 1895 e tinha 3 anos de idade, teria forçosamente que ter nascido no primeiro semestre de 1892, ou até na segunda metade do ano de 1891, mais de um ano antes de a sua mãe ter casado. Ou será que o padre se enganou na idade da criança, quando anotou isso no assento de óbito? Agora que essa gente toda já morreu, há muito, não há como tirar as dúvidas e o mais fácil é acreditar que o Carlos Rodrigues veio de Fragoso para Gueral trabalhar ao jornal para os lavradores, conheceu a Rita e pegaram de namoro. E depois aconteceu o que aconteceu.
Mas o pai da criança apresentou-se na igreja, acompanhando a sua filha à Pia Baptismal e reconheceu, perante todos os presentes, que era o pai daquela criança que nascera da Rita, filha da Maria das Dores e neta da Maria da Anunciação e todas elas sabiam muito bem o que era dar à luz sem o pai da criança por perto. Feliz e finalmente, interrompeu-se ali o ciclo dos pais incógnitos.
Só há uma coisa que contraria todo este meu raciocínio e que é o facto do pároco ter escrito filha legítima de Carlos Rodrigues e Rita da Silva no assento de óbito. E padre não mente! Se a criança foi baptisada noutra freguesia e mesmo sabendo que a Rita se casara apenas há dois anos, podemos desculpar-lhe esse pequeno pecado, ou lapso de memória!
Rissos e Cananos andaram sempre ligados e, menciono isto como uma curiosidade, quando nasceu a minha tia Glória, filha mais velha do avô Francisco, portanto, sobrinha da Rita, foi o seu marido, Carlos Rodrigues, que a levou ao baptismo, como padrinho. Mais um elo da cadeia que nos liga a todos como uma grande família!



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